A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) autorizou a retomada das negociações de reajustes da operadora de planos de saúde Hapvida, que estavam suspensas desde a última quinta-feira. A decisão foi tomada após a empresa informar, em seu relatório do segundo trimestre, que iniciaria a revisão de contratos que afetam 947 mil beneficiários.
Embora a medida cautelar tenha sido revista, a ANS anunciou que irá monitorar as decisões da Hapvida em relação a esses beneficiários. Felipe Nobre Barbosa, diretor de relações com investidores da Hapvida, destacou que esses beneficiários representam 11% da carteira de saúde da operadora.
Os contratos em questão são considerados com rentabilidade inadequada ou com histórico de inadimplência. A Hapvida planeja renegociá-los individualmente ao longo dos próximos 12 meses, respeitando as datas de aniversário dos contratos.
A operadora afirmou que a renegociação seguirá as normas da ANS e os termos dos contratos, oferecendo condições para o reequilíbrio, mas ressaltou que a aceitação das propostas cabe aos clientes.
A Hapvida também mencionou que tomou conhecimento da medida cautelar pela imprensa e solicitou à ANS a apresentação de elementos técnicos que justificassem sua decisão de revisão.
No relatório do segundo trimestre, a Hapvida revelou que o ticket médio dos 947 mil beneficiários é cerca de metade do valor médio do setor. A empresa registrou uma redução líquida de 16 mil beneficiários, sendo 9 mil de contratos reavaliados.
Os resultados financeiros da Hapvida impactaram negativamente suas ações, que caíram 33% após a divulgação do relatório. No dia 13 de agosto, as ações atingiram R$ 6,41, o menor valor desde sua estreia na Bolsa em 2018.
O Ebitda ajustado da empresa foi de R$ 504,4 milhões no segundo trimestre, uma queda de 44,3% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido ajustado foi de R$ 12,5 milhões, representando uma queda de 95,8% em comparação ao período anterior.
Fonte: Noticiasaominuto