O advogado e professor de Direito João de Deus Quirino Filho analisa de que forma a instabilidade vivenciada em Brasília pode repercutir no eleitorado e nas instâncias do Judiciário estadual
17/09/2026 às 15h14 • atualizado em 17/09/2026 às 15h16
A recente escalada de tensão e os duros embates registrados nas sessões do Supremo Tribunal Federal (STF) mantêm as atenções do país voltadas para a maior crise institucional da Corte nos últimos anos. Com bate-bocas entre ministros, paralisação de julgamentos por pedidos de vista e acusações veiculadas publicamente, analistas políticos e jurídicos debatem o grau de contaminação desse cenário nas eleições e o reflexo na credibilidade do Judiciário nos estados.
Em participação no programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, o advogado e professor de Direito João de Deus Quirino Filho analisou de que forma a instabilidade vivenciada em Brasília pode repercutir no eleitorado e nas instâncias do Judiciário estadual.
Ao avaliar a possibilidade de a crise na alta corte alterar os rumos do pleito eleitoral deste ano, o jurista destacou que, embora o ambiente polarizado absorva os fatos para palanques e discursos de campanha, é improvável uma mudança drástica nas intenções de voto consolidadas.
Eu não acredito que alguém que vota em A e vota em B possa literalmente mudar. Pode até ter uma pequena interferência, mas eu não acredito que isso diretamente possa mudar o resultado — pontuou João de Deus.
No entanto, o especialista ressaltou que, diante de um cenário eleitoral fragmentado e marcado por margens estreitas de vantagem, qualquer episódio ganha proporções ampliadas nas estratégias partidárias.
Nós estamos num momento em que qualquer deslize pode gerar… faz-se uma ligação de um ministro ao outro, que um ministro é ligado ao presidente e outro ministro é ligado à oposição
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Apesar das ilações políticas que costumam vincular magistrados aos governantes que os indicaram, Quirino Filho enfatizou a importância de reter os fatos à técnica jurídica e rejeitar rotulações simplistas sobre a composição da Corte.
Eu preciso, inclusive, fazer uma necessária separação, porque os ministros que estão agora em alvos foram nomeados. Por exemplo, Michel Temer nomeou Moraes e Jair Bolsonaro nomeou Mendonça. Mas, ainda assim, eu acho muito distante fazer essa ligação
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Preservação do Judiciário e distância do embate partidário
Um dos pontos centrais da reflexão do advogado diz respeito à urgência de blindar a atividade jurisdicional do jogo político-partidário, garantindo a imparcialidade das decisões e evitando que a desconfiança sobre a Suprema Corte atinja a rotina das comarcas e tribunais estaduais.
A Justiça tem que ser independente, tem que ser imparcial, tem que estar longe desse embate político
, advertiu o jurista. “A polarização política tem que ficar no campo político, tem que ficar no palanque, tem que ficar no partido, na coligação, na federação, tem que ser cuidada pela Justiça Eleitoral. Mas a Suprema Corte não pode ser interferida. Infelizmente está”, concluiu João de Deus Quirino Filho.
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Fonte: Diariodosertao