A amnésia imunológica é um fenômeno que pode ocorrer após a infecção pelo vírus do sarampo, resultando na perda de parte da imunidade adquirida. A bióloga Patrícia Rosa Vanderborght, do Richet Medicina e Diagnóstico, utiliza a analogia de uma biblioteca para explicar como o sistema imunológico pode perder informações sobre infecções anteriores.
O sarampo é uma doença respiratória, cujos sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas, conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca. A infecção evolui em quatro fases: incubação, catarral, exantemática e convalescença.
Vanderborght esclarece que o vírus do sarampo pode afetar células que armazenam memórias imunológicas, reduzindo a capacidade do corpo de produzir anticorpos contra patógenos já conhecidos. Um estudo de Harvard revelou que a infecção pode eliminar entre 11% e 73% do repertório de anticorpos existentes em crianças não vacinadas.
Após a recuperação do sarampo, o número de células de defesa pode retornar ao normal, mas isso não significa que todas as memórias imunológicas foram restauradas. Jessica Fernandes Ramos, da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que o organismo pode produzir células que não reconhecem bem outros microrganismos, mas que são eficazes contra o sarampo.
Esse fenômeno não se limita às crianças; adultos também podem sofrer com a amnésia imunológica. Pesquisas estão em andamento para entender melhor os efeitos em adultos, especialmente em gestantes que contraíram sarampo.
Com o aumento de casos de sarampo em várias regiões, incluindo São Paulo, a vacinação se torna a principal forma de proteção. Até o momento, o estado registrou 23 casos confirmados em 2026.
- Dose zero: crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias.
- Vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos, independente do histórico vacinal.
Fonte: Noticiasaominuto