A campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) busca inspiração no ajuste fiscal de Javier Milei, o que gerou debates sobre os possíveis cortes nas despesas públicas. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questiona Flávio sobre o impacto do chamado 'tesouraço', enquanto Flávio nega que isso afetará aposentadorias ou programas sociais.
Uma das principais propostas de Milei é a desindexação das aposentadorias do salário mínimo, o que limitaria os reajustes à inflação, sem garantir ganhos reais. Atualmente, as aposentadorias no Brasil seguem uma regra que permite aumentos reais de até 2,5% acima da inflação.
Daniella Marques, coordenadora da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, afirmou que o governo de Milei é um 'ótimo exemplo' a ser seguido. Ela mencionou que a inspiração vem do que foi feito na Argentina.
Na Argentina, o governo Milei implementou mudanças significativas, como o fim da moratória previdenciária, que permitia a regularização de contribuições. Isso resultou em uma queda de 53% no número de novos aposentados, conforme dados dos Boletins Estatísticos da Previdência Social.
Além disso, a fórmula de cálculo das aposentadorias foi alterada, reduzindo o piso mínimo em 21,6%, segundo o Centro de Economia Política Argentina. O advogado Luciano González Etkin destacou que as aposentadorias vêm perdendo poder de compra desde 2018.
Outra mudança significativa foi o corte no subsídio para medicamentos, restringindo o acesso apenas a aposentados com renda mensal de até 1,5 vez o benefício previdenciário mínimo. Isso gerou protestos frequentes entre os aposentados em Buenos Aires.
Apesar da pressão, o Congresso argentino aprovou projetos para aumentar os valores das aposentadorias, mas todos foram vetados por Milei, que alegou falta de recursos. Em outubro, a aposentadoria mínima foi reajustada para $ 505.748,51 pesos, o que representa apenas 25% das necessidades básicas mensais de um idoso, segundo a organização Espaço Gerontovida.
Fonte: Paraibaonline