Uma iniciativa que envolve o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) está promovendo o cultivo sustentável de alimentos sem agrotóxicos em Cajazeiras. O projeto de Economia Solidária e Agricultura Agroecológica visa reconfigurar a relação entre produtores e consumidores na região.
Durante o programa Diversidade em Foco, a coordenadora do Núcleo de Economia Solidária do IFPB, Vanessa Belmiro, e os professores Antônio Farias e Wiama de Jesus discutiram as ações do projeto. Vanessa enfatizou que os empreendimentos solidários são formados por grupos que produzem e comercializam de maneira direta, com foco na cooperação e no respeito ao meio ambiente.
Temos essa proposta, enquanto instituição de educação, de fomentar essas práticas e servir como parceiro nas atividades que esses empreendimentos já vêm desenvolvendo aqui na região — destacou Vanessa, mencionando a diversidade de grupos sociais envolvidos, como agricultores, artesãos e cooperativas de reciclagem.
O modelo de Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) é central para essa iniciativa, permitindo que a população urbana se una aos produtores rurais. O professor Antônio Farias explicou que essa relação vai além da simples compra e venda, estabelecendo um compromisso comunitário.
Toda estrutura da comunidade se baseia nos princípios da economia solidária, que tem na sua base conceitos de autogestão — afirmou Antônio, ressaltando que a colaboração entre as famílias contribui para a redução de custos e a viabilidade do cultivo.
Além dos benefícios econômicos, o manejo sustentável também traz vantagens ambientais, regenerando o solo e mantendo sua capacidade nutricional sem o uso de defensivos químicos.
O professor Wiama de Jesus, da UFCG, fez um apelo para que mais moradores de Cajazeiras se tornem "coagricultores", ou seja, pessoas que apoiam o movimento sem necessariamente ter terra para cultivar. Ele destacou que essa rede de apoio é crucial para a sustentabilidade da agricultura familiar e da rede agroecológica.
Essas pessoas podem ser professores, servidores públicos, empresários, comerciantes, e podem contribuir mensalmente para receber produtos da terra sem veneno
, detalhou Wiama, convidando a comunidade a se informar e participar do projeto.
Fonte: Diariodosertao