Indígenas de todo o Brasil começaram a chegar a Brasília neste domingo (5) para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), que acontece no Eixo Cultural Ibero-Americano, no centro da capital federal.
Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o evento se estende até sábado (11) e é considerado a maior mobilização do movimento indígena no país. Os organizadores estimam que entre 7 mil e 8 mil pessoas, incluindo indígenas e não indígenas, participarão este ano.
O ATL reúne representantes de grande parte dos 391 povos originários do Brasil e de outras nações, com o objetivo de debater a defesa dos territórios e denunciar violações aos direitos indígenas. Nos últimos anos, as discussões se ampliaram para incluir a participação político-eleitoral indígena, a crise climática e a defesa da democracia, embora o foco principal continue sendo o reconhecimento do direito dos povos originários à terra.
Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib, comentou sobre a expectativa de que o governo federal anuncie a criação de novas terras indígenas. Após um período de quatro anos sem novas demarcações, o governo homologou 20 novos territórios entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares protegidos.
Dinamam também destacou a luta contínua pela garantia territorial, mencionando que há cerca de 110 áreas reivindicadas como terras da União em análise. Ele ressaltou a alta demanda por demarcações e o cenário de violência e vulnerabilidade nas terras indígenas.
O ATL marca o início do Abril Indígena, um mês de mobilização nacional que busca chamar a atenção para questões como saúde e educação indígena. O tema desta edição é
Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós
.
Durante o evento, haverá debates sobre diversos temas, incluindo educação e relações internacionais. A primeira marcha está programada para terça-feira (7), com foco em propostas de lei que, segundo a Apib, vão contra os interesses dos povos indígenas.
As eleições de 2026 também serão discutidas no Acampamento, com uma mesa dedicada à
Campanha Indígena: a resposta para transformar a política somos nós
, que visa orientar candidaturas indígenas.
Cotinha de Sousa Guajajara, que viajou de Grajaú (MA) com outros indígenas, expressou a expectativa de que áreas sejam demarcadas e ampliadas. Oziel Ticuna, que reside em Brasília, destacou a importância do ATL para a organização e proteção das culturas indígenas.