O candidato à presidência da Colômbia Abelardo de la Espriella, de extrema direita, mostra sua cédula de votação durante 2º turno das eleições presidenciais do país, em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026.
Ivan Valencia/AP
Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia neste domingo (21), aponta a apuração preliminar do país. Direitista venceu o esquerdista Iván Cepeda, candidato do atual presidente Gustavo Petro.
Tigre, continência, K-pop, camisa da seleção: os símbolos do 2º turno na Colômbia
Na eleição colombiana, a apuração tem duas etapas. A primeira é o chamado "preconteo
, uma contagem preliminar feita a partir das atas dos locais de votação usada para projetar os resultados. Mas, segundo a legislação do país, o resultado oficial só é proclamado após o
escrutínio", em que juízes e outras autoridades revisam as atas para corrigir eventuais inconsistências.
A contagem oficial terá início nesta segunda-feira (22).
Esta apuração preliminar teve início logo após o fechamento das urnas, às 18h (no horário de Brasília).
O pleito, se confirmado, representa uma mudança nos rumos do país latino-americano pelos próximos quatro anos: após anos de um governo de esquerda, o país deu uma guinada à direita com Espriella, que é apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disse que a votação a ocorreu de forma tranquila e sem maiores incidentes, e com espectadores internacionais, como representantes da OEA e da União Europeia.
Eleições na Colômbia: 2º turno com disputa entre candidato de Petro e apoiado por Trump
A eleição se tornou uma "queda de braço" entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o presidente dos EUA, Donald Trump. Cepeda era o candidato apoiado por Petro, enquanto o ultradireitista Espriella teve apoio declarado do líder norte-americano.
O resultado da eleição cimenta a onda de governos da direita na América Latina. Isso porque Espriella se junta a diversos países latino-americanos que elegeram governos direitistas nos últimos anos, como no Chile, com Jorge Kast, e a Bolívia, com Rodrigo Paz.
Após polêmica no 1º turno, Petro afirmou neste domingo após votar que respeitará o resultado das eleições. Mesmo assim, o atual presidente fez diversos pedidos por uma mobilização da população para vigiar as atas eleitorais. Cepeda também falou que respeitará o veredito, porém falou em fazer uma
supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa
da apuração.
Após o fim da votação, Espriella afirmou em vídeo nas redes sociais que quer ser lembrado como "o reconstrutor da pátria".
Apoiador de Aberlardo de la Espriella vota durante 2º turno das eleições presidenciais, em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026.
Jair Coll/ Reuters
Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, apresenta-se como um "salvador anti-establishment" e repete promessas de campanha de nomes da extrema direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo. Ele também é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é republicano registrado.
O esquerdista Iván Cepeda, candidato à presidência da Colômbia, vota no 2º turno das eleições presidenciais, em Bogotá, na Colômbia, em 21 de junho de 2026.
Sergio Acero/ Reuters
Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões.
No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei — afirmou Espriella.
Cepeda apostou no caminho contrário: disse que quer continuar as negociações de paz com os grupos armados que lutam contra o Estado há décadas — na sexta-feira (19), para impulsionar a promessa, o governo da Colômbia divulgou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro.
Mas foi o discurso do candidato da extrema direita que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno. Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia – fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego.
Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.
A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno — disse o analista político Eduardo Pizarro à Reuters.
Pizarro afirma que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. Ao mesmo tempo, a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais civis.
Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por isso, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto que Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Iván Cepeda.
Temor de contestação e violência nas ruas
Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita)
Reuters
A contestação aumentou as tensões e alimentou temores de que o governo Petro reivindique os resultados no caso de uma vitória de Espriella. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu neste domingo que todas as partes respeitem um resultado.
Autoridades temem que a contestação por uma das partes dos resultados incentivem protestos nas ruas e aumentem episódios de violência que ocorreram durante o processo eleitoral. No ano passado, o candidato da direita à presidência, Miguel Uribe, um dos favoritos em pesquisas de intenção de voto até então, foi assassinado durante um comício.
Direita na América Latina
Homem segura adesivos com imagens dos dois candidatos à presidência no segundo turno da Colômbia, imitando figurinhas da Copa do Mundo, em 4 de junho de 2026.
Jose Vargas/ Reuters
A vitória de la Espriella confirma a onda que levou outros líderes de direita à vitória na América Latina conquistaria seu maior triunfo até agora, isolando governos de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente.
O resultado respalda um movimento que tem, entre seus principais representantes, Nayib Bukele, em El Salvador, Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile.
Agora no g1