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Estudo da USP detecta fentanil em usuários de maconha sintética

Uma pesquisa da USP revelou a presença de fentanil na saliva de usuários de maconha sintética, com 32% dos participantes testando positivo. O estudo alerta para os riscos à saúde.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de fentanil, um opioide altamente potente, na saliva de usuários de maconha sintética. O estudo, que envolveu 65 participantes, revelou que 21 deles, ou 32%, testaram positivo para a substância, que é conhecida por causar uma epidemia de dependência nos Estados Unidos.

Os resultados são alarmantes, uma vez que o fentanil foi encontrado em drogas que, teoricamente, não deveriam conter essa substância. Isso representa um sério risco à saúde dos consumidores e serve como um alerta para as autoridades de saúde.

A coleta de saliva foi realizada em três serviços de saúde na capital paulista, e todos os participantes que testaram positivo para fentanil afirmaram não ter consumido opioides, sugerindo uma exposição involuntária ao opioide.

O perfil dos usuários que testaram positivo é predominantemente masculino, em situação de rua e com baixa escolaridade, com uma mediana de idade de 23 anos. A pesquisa também destacou que todos os usuários positivos não relataram consumo de maconha, cocaína ou álcool nos quatro dias anteriores à avaliação, indicando que a exposição ao fentanil pode estar ligada a redes específicas de fornecimento.

Ligia Goes Endo, autora do estudo, enfatizou que a presença de fentanil em drogas de rua pode levar a uma epidemia semelhante à dos Estados Unidos, onde o opioide é frequentemente associado ao uso de substâncias ilícitas. Ela alertou sobre os riscos elevados de overdose, especialmente quando o fentanil é consumido sem controle de dosagem.

Esta é a primeira vez que o fentanil foi detectado diretamente em usuários, ao contrário de análises anteriores que apenas encontraram a substância em drogas apreendidas. O acesso fácil e o baixo custo da maconha sintética, que pode ser mais barata que o crack, agravam a situação.

Os pesquisadores também relataram que alguns usuários migraram para a maconha sintética devido à abstinência de opioides, destacando a atratividade da droga para o tráfico, que oferece um produto com alto potencial de dependência a um preço acessível.

O estudo da USP visa mapear a circulação do fentanil em São Paulo e planeja expandir a análise para outras regiões da cidade. Em 2023, os Estados Unidos enfrentaram uma crise de overdoses por fentanil, resultando em cerca de 300 mortes diárias, embora os números tenham diminuído desde então.

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