O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu filho e influenciadores conservadores têm atribuído as vitórias eleitorais da direita na América Latina ao desmonte da agência americana de ajuda externa. Eles argumentam que os recursos da agência favoreciam partidos e governos de esquerda.
Entretanto, essa tese carece de comprovação e reitera acusações de interferência nas eleições brasileiras de 2022, que já estão sendo investigadas. A narrativa ganhou força após o primeiro turno das eleições brasileiras, com integrantes do movimento Maga promovendo a ideia de que os resultados estão relacionados aos cortes na Usaid, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.
Donald Trump Jr. afirmou em uma publicação que, desde o desmantelamento da Usaid, a esquerda não venceu nenhuma eleição presidencial na América Latina. Ele argumentou que bilhões de dólares dos contribuintes financiavam ONGs e programas que apoiavam a esquerda, caracterizando isso como interferência eleitoral.
Ex-assessor de Trump, Elon Musk, que liderou a ofensiva contra a Usaid, cancelou contratos e promoveu cortes de recursos. No entanto, especialistas contestam essa narrativa, afirmando que a Usaid historicamente apoiou organizações de direita e enfraqueceu a esquerda na região.
Alex Main, pesquisador do CEPR, destacou que a maior parte dos recursos da Usaid era destinada a programas humanitários e de desenvolvimento, e não a sustentar governos de esquerda. Ele argumentou que a perda de eleições pela esquerda não pode ser atribuída à atuação da agência.
Andres Martinez-Fernandez, da Heritage Foundation, atribuiu o avanço da direita a questões como combate ao crime e insatisfação econômica, observando um fortalecimento de políticos conservadores na região. A tese sobre a Usaid também foi promovida por influenciadores conservadores, que relacionaram o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro ao desmonte da agência.
Mike Benz, ex-integrante do Departamento de Estado, alegou que a Usaid financiava uma rede de instituições no Brasil, mas não apresentou evidências concretas. A Folha já havia reportado que essas alegações eram infundadas e que as organizações mencionadas negaram ter recebido recursos da agência para interferir nas eleições.
Além disso, a relação entre o desmonte da Usaid e as vitórias da direita é complexa e varia de país para país. Na Bolívia, por exemplo, a agência foi expulsa em 2013, muito antes das recentes derrotas eleitorais da esquerda.
Durante o segundo mandato de Trump, a Casa Branca cancelou contratos e transferiu funções da Usaid ao Departamento de Estado, justificando as mudanças como parte de uma estratégia para combater desperdícios e alinhar os programas às prioridades do governo.
A repercussão das eleições brasileiras ocorre em um contexto de aproximação da Casa Branca com governos conservadores na América Latina, focando em cooperação em segurança e interesses econômicos. Enquanto Lula mantém divergências com Trump, Flávio Bolsonaro busca maior alinhamento com Washington.
Fonte: Noticiasaominuto