Em uma recente entrevista ao programa Olho Vivo, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, abordou as estratégias da Justiça Eleitoral e das forças de segurança para lidar com a interferência do crime organizado e a disseminação de fake news durante as eleições no estado.
O desembargador reconheceu que a presença de facções e a restrição de acesso de eleitores a determinadas comunidades representam desafios significativos. No entanto, ele assegurou que a Justiça Eleitoral da Paraíba já estava devidamente preparada para enfrentar essas situações.
Para o TRE, esse cenário não é bem atípico porque está dentro do mister do trabalho dos juízes. O que há de novidade de alguns julgamentos foi a situação de fake news e a situação em que os chefes do crime estariam influenciando em algumas zonas, em algumas regiões, em alguns bairros em que o eleitor deveria ter o livre acesso.
Márcio Murilo também enfatizou que o Tribunal possui competência penal para investigar denúncias relacionadas a crimes eleitorais, e que os magistrados têm apoiado operações policiais, como a Operação Zona de Influência, realizada em parceria com o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal.
Recentemente, a Operação Zona de Influência cumpriu mandados de busca e apreensão, investigando a suposta troca de apoio eleitoral entre políticos e líderes de facções criminosas. As investigações revelaram acordos que permitiriam a entrada de candidatos em comunidades controladas por criminosos em troca de benefícios financeiros e cargos públicos.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 220 mil em dinheiro, e a Justiça Eleitoral decidiu pelo afastamento cautelar de um secretário municipal em João Pessoa por 90 dias.
Fonte: Diariodosertao