A Estônia fez uma acusação formal contra a Rússia, afirmando que o país incendiou uma fábrica de drones terrestres em Tallinn, utilizados pela Ucrânia em sua luta contra a invasão russa iniciada em fevereiro de 2022.
Com isso, a Estônia se tornou o segundo membro da Otan, após a Alemanha, a responsabilizar diretamente Moscou por um ataque em seu território. O Kremlin, por sua vez, rejeitou a acusação, afirmando que não considera mais esse tipo de discurso.
O ataque incendiário à Milrem Robotics foi ordenado pelos serviços especiais russos — declarou o primeiro-ministro estoniano, Kristen Michal, referindo-se ao incidente ocorrido entre 14 e 15 de agosto.
Isso é parte da campanha mais ampla em toda a Europa para nos intimidar e reduzir nosso apoio à Ucrânia. Não vai funcionar
, acrescentou Michal, que também anunciou a abertura de um inquérito criminal sobre o caso.
A Milrem Robotics é reconhecida como a principal fabricante de drones terrestres do mundo e, em colaboração com a Holanda, planeja entregar 150 unidades do modelo TheMis à Ucrânia neste ano.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que estava em visita à Lituânia, classificou o ataque na Estônia como grave, ressaltando que as ações da Rússia estão se tornando cada vez mais hostis.
Rutte também reconheceu que a guerra híbrida, onde o agressor não se identifica claramente, está impactando a Europa, mas reafirmou que a Rússia não está conseguindo minar o apoio à Ucrânia.
O chanceler russo, Serguei Lavrov, reiterou a posição de Moscou, afirmando que
não há dúvidas de que o Ocidente está travando guerra com a Rússia
.
A Otan possui mecanismos de resposta a ameaças, mas não há indícios de que ações como ciberataques tenham gerado resultados significativos, enquanto a Ucrânia continua a atacar alvos na Rússia.
A acusação da Estônia é considerada séria, especialmente após a Alemanha ter responsabilizado o Kremlin por um ataque frustrado a aviões de carga ucranianos em Leipzig.
Líderes europeus expressaram solidariedade à Estônia, com o presidente francês, Emmanuel Macron, alertando sobre a escalada das hostilidades por parte da Rússia.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, classificou o incidente como "extremamente sério", enquanto a União Europeia reafirmou seu apoio à Estônia, que enfrenta preocupações constantes devido à sua proximidade com a Rússia.
Por outro lado, o primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevicius, embora crítico em relação a Moscou, afirmou que não há evidências de que a Rússia esteja preparando uma ação militar iminente contra um membro da Otan.
Fonte: Noticiasaominuto