O papa Leão 14 declarou que a associação entre a extrema direita e certas expressões religiosas na Alemanha
não é uma expressão autêntica do cristianismo
. A afirmação foi feita em resposta a uma pergunta sobre a diminuição do número de fiéis da Igreja no país.
Durante a conversa, o pontífice expressou seu desejo de visitar a Alemanha, embora ainda não tenha uma data definida. Ele sugeriu que seria interessante investigar a relação entre a crise religiosa e o crescimento da extrema direita.
Seria interessante estudar e analisar se existe, e de que maneira poderia existir, uma relação, por exemplo, entre o crescimento desses grupos de extrema direita — comentou o papa sobre a situação na Alemanha.
Leão 14 enfatizou a importância do diálogo com líderes católicos e protestantes alemães, que já se manifestaram contra a combinação de posições extremistas com formas de religião. Ele afirmou que os valores do Evangelho são voltados para a compreensão e compaixão, não para o ódio e a divisão.
O papa também defendeu que a Igreja deve incentivar a participação política em prol do bem comum, ajudando os cidadãos a fazer escolhas conscientes e a rejeitar ideias extremistas, cujos efeitos ainda não são totalmente compreendidos.
A extrema direita na Alemanha é representada principalmente pelo partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que obteve 20,8% dos votos nas eleições federais de 2025 e venceu as eleições estaduais da Saxônia-Anhalt em 2026, com cerca de 44% dos votos.
Apesar do crescimento, a AfD permanece isolada dos principais partidos, que se comprometem a não formar alianças com a legenda. O aumento do partido reacendeu o debate sobre imigração, nacionalismo e a relação entre extremismo e religião, temas abordados pelo papa.
As declarações do papa ocorreram durante o voo de retorno da França ao Vaticano, onde ele realizou uma visita oficial. Em Metz, próximo à fronteira alemã, Leão 14 discutiu os desafios políticos da Europa, em um contexto de ascensão de partidos de extrema direita.
Ele reiterou a importância dos valores fundadores da União Europeia, como o Estado de Direito e a igualdade entre as pessoas, independentemente de raça, cor, classe ou profissão.
O papa também abordou a guerra na Ucrânia, pedindo que os negociadores estejam dispostos a abrir mão de algumas posições para alcançar a paz, e descreveu o conflito como um "novo massacre sem sentido".
Além disso, criticou o aumento dos gastos militares na Europa, questionando se os países estão realmente se esforçando para promover a paz ou apenas se preparando para futuros conflitos.
Em seu discurso, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, o papa pediu que os países europeus ofereçam oportunidades de integração aos imigrantes e defendam a criação de vias legais e seguras para a migração.
Fonte: Noticiasaominuto