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PT solicita investigação sobre possível interferência dos EUA na eleição de 2026

O PT recorreu ao STF e ao TSE para investigar a suposta ingerência dos EUA nas eleições brasileiras, pedindo a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro e destacando a crítica da Abin sobre a situação.
Foto: Reprodução / Getty

A campanha do PT, liderada por Lula, apresentou na quarta-feira um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026. O partido também solicitou a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro, alegando o uso de recursos estrangeiros em sua campanha.

A preocupação do PT é respaldada por uma avaliação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que classificou a possibilidade de ingerência dos EUA como de ‘nível de criticidade’ em um documento recente.

A desconfiança do governo brasileiro se baseia em uma série de eventos recentes. Em maio, Flávio Bolsonaro se encontrou com Donald Trump, e logo após, os EUA designaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em setembro, um relatório do Departamento de Estado americano criticou o Brasil por sua abordagem ao combate às facções criminosas.

Além disso, tensões diplomáticas aumentaram com sanções impostas pelos EUA a autoridades brasileiras e a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington. Em retaliação, o Brasil negou vistos a dois diplomatas americanos.

Um documento dos EUA, revelado por um veículo de comunicação, mencionou a participação de ‘dissidentes políticos’ nas eleições brasileiras. O chanceler Celso Amorim, em audiência no Congresso, comentou sobre as limitações do monitoramento de atividades infiltradas.

No dia anterior aos pedidos judiciais, Lula discursou na Assembleia Geral da ONU, enfatizando que o Brasil não subestima os desafios do crime organizado e reafirmando a soberania nacional ao afirmar que ‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’.

A reação do governo também se estende a articulações com influenciadores. Em julho, o consulado dos EUA em São Paulo promoveu um encontro com influenciadores de direita, onde se discutiu a ‘liberdade de expressão no ambiente digital’. Uma participante relatou que diplomatas americanos mencionaram que a censura poderia impactar os resultados eleitorais.

Assessores do governo brasileiro descreveram o país como uma peça-chave na visão do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que poderia suceder Trump em 2029. Para mitigar tensões, a estratégia do Planalto envolve a ‘diplomacia presidencial’.

O contexto regional também influencia essa análise. Com Trump de volta ao poder em 2025, a captura de Nicolás Maduro e recentes ataques dos EUA em países latino-americanos aumentaram a preocupação. Na Argentina, Trump condicionou ajuda financeira à vitória de um candidato de direita.

O professor Gunther Rudzit levantou questões sobre a aceitação do resultado das eleições pelo Departamento de Estado americano, enquanto Leandro Piquet Carneiro, da USP, argumentou que Lula não representa uma ameaça aos interesses dos EUA e que a recusa em reconhecer sua vitória poderia desmoralizar Washington.

No campo das ideias, houve um movimento empresarial em Nova York, onde se discutiu uma ‘aliança civilizacional’ entre Brasil e EUA, destacando valores culturais e religiosos que o Brasil poderia oferecer.

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