O advogado e professor de Direito João de Deus Quirino Filho demonstrou sua indignação em relação à condução da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi suspensa após um pedido de vista. A sessão, realizada na última terça-feira, tinha como objetivo discutir a abertura de um procedimento investigatório sobre o ministro Alexandre de Moraes, mas acabou se prolongando por oito horas sem chegar a um consenso.
Durante uma entrevista ao programa Olho Vivo, João de Deus criticou a postura dos ministros, afirmando que as trocas de acusações pessoais e a condução da pauta geraram um impacto negativo no cenário institucional do Brasil. Ele lamentou que o propósito da convocação tenha sido comprometido por manobras regimentais que impediram o avanço do julgamento.
O jurista expressou seu descontentamento, afirmando que o clima de tristeza e frustração é compartilhado por muitos brasileiros que acompanharam a sessão.
Esse clima de tristeza, frustração, espanto e qualquer outro sentimento negativo é meu e acredito que seja da grande parte da população brasileira — disse ele, ressaltando que questões formais prevaleceram sobre a apuração dos fatos.
João de Deus também enfatizou a importância da isonomia no Poder Judiciário, afirmando que todos, incluindo os ministros, devem estar sujeitos aos mesmos parâmetros legais. Ele se mostrou desapontado com a seletividade observada entre os ministros e criticou o tom elevado das discussões.
Além disso, o advogado apontou a falta de firmeza do presidente do STF, Edson Fachin, na condução da sessão. Para ele, Fachin deveria ter exercido um papel mais enérgico e corajoso. Como docente, João de Deus destacou a contradição entre os princípios constitucionais que ensina e a prática observada durante a sessão, expressando sua preocupação com a imagem da Corte Suprema.
Fonte: Diariodosertao