A guerra no Iêmen, um novo foco de tensão no Oriente Médio, aumentou sua intensidade nesta quarta-feira. Forças sauditas realizaram bombardeios em várias posições dos houthis ao longo da fronteira, totalizando 450 ataques apenas nesta semana, conforme relatado pelos rebeldes que controlam a capital Sanaa desde 2014.
Os houthis, por sua vez, afirmaram ter atacado uma instalação da estatal Aramco no terminal petrolífero de Yanbu, o principal porto de exportação da Arábia Saudita no mar Vermelho. Este porto tem sido uma alternativa devido à obstrução do trânsito no estreito de Hormuz, afetado pela tensão entre os EUA e o Irã.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, declarou que suas forças derrubaram um caça F-15 saudita durante os ataques, embora Riad não tenha comentado sobre o incidente, que não possui evidências visuais até o momento. Além disso, Saree anunciou um novo ataque à base Rei Khalid, que abriga esquadrões de F-15.
Na véspera, um drone houthi foi abatido nas proximidades de Meca, mas os rebeldes negaram a ação, que foi condenada pela Liga Árabe. O governo saudita não se manifestou sobre as ações, exceto sobre o incidente em Meca, que foi confirmado por aliados iemenitas.
O governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, enfrenta uma guerra civil com os houthis, que estava estagnada desde 2022, mas foi reativada com a escalada do conflito. Os houthis, que têm apoio do Irã, também atacaram Israel, mas não tinham intensificado suas ações no mar Vermelho até agora.
A escalada atual foi impulsionada por um bloqueio aéreo a Sanaa, em um momento em que o Irã busca fortalecer sua posição nas negociações com os EUA. O aumento das hostilidades resultou em um aumento significativo no preço do petróleo, que chegou a US$ 108 por barril.
A cidade de Áden teme ser o próximo alvo dos rebeldes, que já controlam a costa do mar Vermelho e estão mirando o estreito de Bab el-Mandeb. Isso poderia afetar o comércio marítimo global, com a possibilidade de bloqueios aos portos sauditas, especialmente Yanbu.
A Aramco não se pronunciou sobre o ataque recente, mas executivos da empresa acreditam que o fluxo no oleoduto pode ser restabelecido em breve, embora a situação permaneça incerta. O aumento dos preços do petróleo e a pressão sobre o governo dos EUA são preocupações que emergem desse cenário.
Fonte: Noticiasaominuto