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Estratégias Eleitorais na Paraíba: Vencer sem João Pessoa e Campina Grande

João Pessoa e Campina Grande concentram os dois maiores colégios eleitorais da Paraíba e, historicamente, funcionam como polos decisivos nas disputas pelo Governo do Estado. Mas uma pergunta ganha força em toda eleiçã.....
Foto: Polêmica Paraíba

João Pessoa e Campina Grande concentram os dois maiores colégios eleitorais da Paraíba e, historicamente, funcionam como polos decisivos nas disputas pelo Governo do Estado. Mas uma pergunta ganha força em toda eleição estadual: é possível chegar ao Palácio da Redenção sendo derrotado nas duas principais cidades paraibanas?

A resposta é sim.

Um levantamento feito pelo Polêmica Paraíba a partir dos resultados das eleições estaduais mostra que, nas disputas realizadas desde 2002, o exemplo mais marcante aconteceu justamente na eleição mais recente, em 2022. Naquele ano, João Azevêdo (PSB) foi reeleito governador mesmo sendo derrotado por Pedro Cunha Lima (PSDB) tanto em João Pessoa quanto em Campina Grande.

No resultado estadual do segundo turno, João Azevêdo recebeu 1.221.904 votos, equivalentes a 52,51% dos votos válidos, enquanto Pedro Cunha Lima terminou com 1.104.963 votos, ou 47,49%. A diferença final foi de 116.941 votos.

A composição desse resultado, porém, revela uma situação política pouco comum.

Pedro venceu João Pessoa e Campina Grande em 2022

Em João Pessoa, Pedro Cunha Lima conquistou 255.264 votos, correspondentes a 58,11% dos votos válidos. João Azevêdo recebeu 184.047 votos, ou 41,89%.

A vantagem de Pedro na Capital foi de 71.217 votos.

Em Campina Grande, a diferença foi ainda maior. Pedro recebeu 154.794 votos, correspondentes a cerca de 67,4% dos votos válidos, contra aproximadamente 75 mil votos de João Azevêdo.

Somadas, as derrotas nos dois maiores centros urbanos representaram uma desvantagem expressiva para o governador.

Mesmo assim, João compensou o desempenho com uma ampla vitória no interior. No segundo turno de 2022, o socialista foi o candidato mais votado em 170 dos 223 municípios paraibanos, enquanto Pedro venceu em 53 cidades.

O resultado demonstrou, na prática, que uma vantagem espalhada pelo interior pode superar uma derrota expressiva nos dois maiores colégios eleitorais.

2018: João perdeu Campina, mas ganhou João Pessoa

Quatro anos antes, o cenário havia sido diferente.

Em 2018, João Azevêdo foi eleito governador ainda no primeiro turno com 58,19% dos votos válidos em todo o estado.

Naquela eleição, João venceu nove dos dez maiores colégios eleitorais paraibanos. A única exceção foi Campina Grande, onde Lucélio Cartaxo superou o candidato do PSB.

João, entretanto, venceu em João Pessoa e também em cidades como Santa Rita, Bayeux, Patos, Cabedelo, Sousa, Cajazeiras, Guarabira e Sapé. Ao todo, venceu em 209 dos 223 municípios.

Ou seja: ganhou o Governo perdendo uma das duas maiores cidades, mas não as duas.

2014: Ricardo venceu João Pessoa e perdeu Campina Grande

Em 2014, a rivalidade entre os dois maiores centros políticos do estado apareceu de forma ainda mais clara.

Ricardo Coutinho (PSB), ex-prefeito de João Pessoa, enfrentou Cássio Cunha Lima (PSDB), ex-prefeito de Campina Grande.

No primeiro turno, Ricardo venceu em todas as zonas eleitorais da Capital, enquanto Cássio dominou todas as zonas de Campina Grande.

No segundo turno, o desenho se manteve.

Ricardo recebeu 242.011 votos em João Pessoa contra 151.337 de Cássio. Em Campina Grande ocorreu o inverso: Cássio recebeu 141.472 votos e Ricardo, 84.863.

No resultado estadual, Ricardo foi reeleito com 1.125.956 votos, ou 52,61%, contra 1.014.393 de Cássio, equivalente a 47,39%.

Mais uma vez, portanto, o vencedor estadual perdeu uma das duas maiores cidades, Campina Grande, mas venceu a outra.

2010: Ricardo venceu nas duas maiores cidades

Em 2010 aconteceu o oposto.

Na eleição que levou Ricardo Coutinho pela primeira vez ao Governo da Paraíba, o então candidato do PSB conseguiu vencer José Maranhão nos dois maiores colégios eleitorais.

No primeiro turno, Ricardo obteve 59,48% dos votos válidos em João Pessoa e 64,22% em Campina Grande, segundo dados do TSE reproduzidos à época.

No segundo turno, Ricardo terminou eleito governador.

Foi, portanto, uma eleição em que o vencedor estadual também conseguiu dominar simultaneamente João Pessoa e Campina Grande.

2006: Cássio perdeu João Pessoa, mas dominou Campina

Em 2006, Cássio Cunha Lima também provou que perder a Capital não significava perder a eleição.

No segundo turno, José Maranhão conquistou 208.967 votos em João Pessoa, contra 133.735 de Cássio.

Em Campina Grande, porém, Cássio teve vantagem ainda maior: foram 143.112 votos contra 63.562 de Maranhão.

No resultado estadual, Cássio venceu com 1.003.102 votos, enquanto Maranhão recebeu 950.269.

Percentualmente, Cássio chegou a 69,25% dos votos válidos em Campina Grande, enquanto Maranhão alcançou 60,98% em João Pessoa.

Novamente, o governador eleito perdeu uma das duas principais cidades, Campina Grande, mas venceu a outra.

2002: cenário praticamente idêntico

A eleição de 2002 apresentou lógica semelhante.

Cássio Cunha Lima venceu Roberto Paulino no segundo turno e foi eleito governador.

Em Campina Grande, Cássio obteve 74,24% dos votos válidos, contra 25,76% de Roberto Paulino.

Já em João Pessoa, Roberto Paulino venceu com 62,14%, enquanto Cássio ficou com 37,86%. Os dados constam em levantamento acadêmico elaborado a partir de números do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.

Mais uma vez, o candidato eleito dominou Campina Grande, mesmo perdendo em João Pessoa.

O que a história mostra

O retrospecto das últimas seis eleições para governador deixa um padrão claro

Em 2002, Cássio Cunha Lima perdeu João Pessoa e venceu Campina Grande.

Em 2006, Cássio voltou a perder João Pessoa e venceu Campina.

Em 2010, Ricardo Coutinho venceu as duas cidades.

Em 2014, Ricardo venceu João Pessoa e perdeu Campina Grande.

Em 2018, João Azevêdo venceu João Pessoa e perdeu Campina Grande.

Em 2022, João Azevêdo perdeu João Pessoa e Campina Grande, mas mesmo assim foi reeleito governador.

Isso faz de 2022, dentro desse recorte histórico iniciado em 2002, a demonstração mais clara de que vencer os dois maiores colégios eleitorais não é condição obrigatória para conquistar o Governo da Paraíba.

Interior foi decisivo em 2022

A explicação está na distribuição territorial dos votos.

João Azevêdo não precisava simplesmente recuperar, em uma única cidade, a vantagem construída por Pedro em João Pessoa ou Campina Grande. O governador conseguiu compensá-la acumulando maiorias em dezenas de municípios de pequeno e médio porte.

No segundo turno, venceu em 170 cidades. Pedro, embora tenha conquistado os dois maiores centros urbanos e outros municípios importantes da Região Metropolitana, venceu em 53.

O caso mostra que a eleição para o Governo da Paraíba não pode ser lida apenas pelo desempenho nas duas maiores cidades.

João Pessoa e Campina Grande têm peso político, eleitoral e simbólico enorme, e uma vantagem robusta nas duas representa um ativo importante. Mas os outros 221 municípios podem alterar completamente a matemática.

Em 2022, alteraram.

E o resultado deixou uma lição para 2026: um candidato pode até perder João Pessoa e Campina Grande e ainda assim chegar ao Palácio da Redenção, desde que consiga construir no restante da Paraíba uma vantagem grande o suficiente para compensar essas derrotas.

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