Search

Influência da Independência dos EUA na Emancipação Brasileira

A independência dos Estados Unidos, primeira colônia a se libertar da Europa, teve impacto significativo nos processos de emancipação do Brasil, culminando em 7 de setembro. Especialistas discutem essa relação histórica.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

A independência dos Estados Unidos representou uma mudança de paradigma global, sendo a primeira colônia nas Américas a conquistar liberdade da Europa. Esse evento histórico influenciou diretamente os processos de emancipação no Brasil, que culminaram no 7 de setembro.

Um exemplo notável é a Inconfidência Mineira, que buscava a separação de Portugal e tinha Tiradentes como um de seus líderes. Esse movimento ocorreu 13 anos após a independência americana, em 1789, e foi inspirado pelas ideias dos recém-criados EUA, conforme aponta a historiadora Kirsten Schultz, da Universidade de Seton Hall.

Schultz destaca que, ao longo do século 18, o Brasil se integrou mais ao mundo atlântico, facilitando a circulação de informações sobre os EUA através de cartas e livros. Ela menciona figuras como José Joaquim Maia e Barbalho, que se correspondia com Thomas Jefferson, e José Álvares Maciel, que acompanhava os eventos americanos da Inglaterra.

Entretanto, a influência americana deve ser analisada com cautela. Mary Anne Junqueira, professora da USP, reconhece a importância das ideias norte-americanas, mas classifica esse intercâmbio como 'difuso', ressaltando que a Europa também estava repleta de novas ideias, como as de Montesquieu sobre a República.

Junqueira critica a visão de que os EUA foram um guia central para os movimentos emancipatórios, afirmando que essa narrativa ignora conflitos e complexidades históricas. Ela resume: 'É claro que a independência dos EUA foi uma referência importante, mas não quer dizer que era um modelo para nós.'

Schultz concorda, afirmando que a independência americana foi uma entre várias influências, incluindo as revoluções Francesa e Haitiana, que sinalizavam mudanças significativas no antigo regime europeu.

Além da Inconfidência, a Conjuração Baiana de 1798, que tinha um caráter abolicionista e republicano, também se inspirou nos EUA, embora a revolução no Haiti tenha exercido um impacto mais direto. A Revolução Pernambucana de 1817 também buscou inspiração no modelo americano, com revoltosos desejando instaurar uma república federalista.

Após a separação de Portugal, o Brasil adotou sua primeira Constituição em 1824, com acesso a diversas configurações constitucionais, incluindo a americana. A independência brasileira, proclamada em 7 de setembro de 1822, faz parte de uma onda revolucionária nas Américas, sendo reconhecida inicialmente pelos EUA.

Schultz observa que o reconhecimento da independência brasileira pelos EUA foi estratégico, pois visava garantir interesses econômicos, permitindo ao Brasil desenvolver seu comércio sem as restrições portuguesas. Ela conclui que existem histórias entrelaçadas entre os dois países, especialmente relacionadas à escravidão e à abolição.

PUBLICIDADE

Mais recentes

PUBLICIDADE