Acusações surgiram contra a médium Máira Rocha, que teria utilizado dados disponíveis na internet para elaborar cartas psicografadas. As denúncias foram apresentadas no programa Fantástico.
Máira, conhecida em Brasília e funcionária do Ministério da Saúde, fundou a Casa da Caridade Inácio Daniel, que atende cerca de 5 mil pessoas mensalmente com doações para ações sociais. A instituição também realiza psicografias, denominadas cartas consoladoras.
Marina Escames, que buscou a médium após a morte de seu marido, Thiago, vítima de leucemia, relatou que a carta recebida continha informações previamente publicadas na internet, incluindo uma expressão utilizada pelo falecido e detalhes sobre uma tatuagem e chá de camomila durante sua internação.
O filho de Marina, Nicolas, notou semelhanças no perfil de Thiago. Além disso, a carta mencionou o bullying que Matteo, o caçula, havia sofrido, informação que ele já havia compartilhado com a médium antes da sessão.
Outro relato veio de Marcela Magalhães, que perdeu seu filho Henrique em um acidente. Durante uma transmissão, Máira se referiu a Henrique como jogador de futebol, um erro que Marcela identificou em uma reportagem sobre o acidente, que incluía uma foto do jovem em uniforme esportivo.
A carta também fez referências a João e Letícia, embora os três tenham falecido em circunstâncias distintas. A ligação foi estabelecida com base em uma montagem que Marcela havia compartilhado durante a pandemia.
Diva Mascarenhas Borges também notou falhas na carta recebida após a morte de seu pai, que continha nomes de irmãos adotivos e informações do inventário, além de uma data de aniversário incorreta. Após buscar esclarecimentos na Federação Espírita do Distrito Federal, ela descobriu que outras pessoas também haviam feito denúncias.
Especialistas consultados alertaram sobre a possibilidade de cruzamento de dados disponíveis na internet. O pesquisador Pedro Camilo destacou que informações como nomes e dados fornecidos anteriormente podem facilitar a criação de perfis sobre falecidos e seus familiares.
Marina mencionou que foi solicitada a fornecer seu nome completo e CPF antes da psicografia, e Marcela também apresentou documentos. Jorge Godinho, presidente da Federação Espírita Brasileira, comparou o procedimento de Máira ao de Chico Xavier, que, segundo ele, não tinha acesso a informações prévias dos presentes.
Sete lideranças espíritas protocolaram uma notícia-crime contra Máira, acusando-a de estelionato, charlatanismo e crimes previstos no ECA. Há registros de queixas policiais contra ela em pelo menos cinco estados. A médium não aceitou participar de uma entrevista com o programa.
Fonte: Noticiasaominuto