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Eficácia da vacina Qdenga da Takeda em adolescentes é confirmada

Um estudo revela que a vacina Qdenga, da Takeda, demonstrou 88% de eficácia contra hospitalizações por dengue em adolescentes de 10 a 15 anos que receberam duas doses. A pesquisa sugere proteção também com uma única d...
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

A vacina Qdenga, desenvolvida pelo laboratório Takeda, mostrou uma efetividade de 88% contra hospitalizações por dengue em adolescentes de 10 a 15 anos que receberam duas doses. Essa conclusão é parte de um estudo realizado durante as epidemias de 2024 e 2025 no estado de São Paulo.

O estudo, que faz parte da fase 4 de testes, avaliou o uso do imunizante em um contexto real, permitindo uma amostra maior e mais dados sobre sua eficácia e possíveis efeitos colaterais. Os resultados indicaram que a vacina também oferece proteção contra dengue sintomática e hospitalizações após apenas uma dose, sugerindo que uma única aplicação pode ser suficiente para garantir proteção no futuro.

Foram analisados 166.390 testes de dengue realizados em adolescentes entre 20 de fevereiro de 2024 e 31 de dezembro de 2025. Desses, 65.365 resultados foram positivos e 101.025 negativos. Os pesquisadores utilizaram um método de caso-controle test-negativo para estimar a efetividade da vacina.

A efetividade contra dengue sintomática confirmada por teste de antígeno foi de 73,1% para aqueles que receberam duas doses, enquanto a proteção contra hospitalização foi de 87,9%. Para os que receberam apenas uma dose, as estimativas foram de 59,2% contra a doença sintomática e 74,6% contra hospitalização.

Pesquisadores não encontraram evidências de que a proteção da primeira dose diminuísse após 90 dias, com efetividade estimada em 74% entre 270 e 364 dias após a primeira aplicação e 77% após um ano. A proteção contra hospitalização também se manteve durante o período analisado.

Julio Croda, um dos autores do estudo, destacou que análises pós-registro de vacinas podem fornecer informações adicionais que não são obtidas em ensaios clínicos. Os ensaios anteriores da Qdenga envolveram cerca de 20 mil pessoas, enquanto a nova análise considerou dados de mais de 166 mil testes de dengue.

O estudo também observou mudanças na circulação dos sorotipos da dengue em São Paulo, com predominância dos sorotipos 1 e 2 em 2024 e aumento do sorotipo 3 em 2025. Apesar dessas mudanças, a efetividade geral da vacina não apresentou queda.

Embora a proteção observada após uma dose seja significativa, os pesquisadores não recomendam a substituição do esquema vacinal atual, que continua a ser duas doses. A possibilidade de uma única dose ser suficiente será investigada em estudos futuros.

A Qdenga é uma vacina tetravalente contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, e sua vacinação no Brasil começou em 2024, priorizando crianças e adolescentes em áreas com alta incidência da doença. O estudo considerou diversos fatores que poderiam influenciar os resultados, e os autores ressaltam a necessidade de acompanhamento mais longo para determinar a duração da proteção.

A pesquisa foi coordenada por instituições como a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e a Fundação Oswaldo Cruz, com apoio de cientistas de diversas universidades e financiamento do CNPq.

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