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Brasil critica tarifas dos EUA em reunião bilateral

Durante a primeira reunião bilateral com os EUA, o governo brasileiro classificou as tarifas impostas como injustas e discriminatórias, destacando a preocupação com a permanência dessas medidas.
Foto: Polêmica Paraíba

Em um encontro realizado nesta segunda-feira (31), representantes do governo brasileiro expressaram sua insatisfação em relação ao tratamento recebido dos Estados Unidos. A reunião marcou a primeira interação bilateral após o anúncio de um novo pacote de tarifas em julho.

Os ministros Márcio Elias Rosa, da Indústria e Comércio, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, enfatizaram que o Brasil não aceita as medidas unilaterais adotadas pela Casa Branca. Segundo comunicado do governo federal, as tarifas impostas ao Brasil são vistas como incompatíveis com as normas do comércio internacional.

A reunião também contou com a presença de Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que é responsável por recomendar as tarifas aplicadas ao Brasil. Ao final do encontro, os dois países concordaram em agendar uma nova reunião ministerial, embora ainda não tenha sido definida uma data.

O governo brasileiro iniciou as negociações com cautela, ciente da possibilidade de um acordo, mas preocupado com a manutenção das tarifas por um período prolongado. Há receios de que as novas tarifas se tornem permanentes, similar ao que ocorreu com as barreiras sobre aço e alumínio impostas em 2018, que não foram totalmente revogadas sob a administração de Joe Biden.

Atualmente, duas sobretaxas afetam produtos brasileiros: uma de 25%, alegando práticas comerciais desleais, e outra de 12,5%, relacionada a supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Essa última substituiu uma tarifa global de 10% que estava em vigor até julho. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informa que essas tarifas impactam 3.985 produtos brasileiros, totalizando cerca de US$ 10,8 bilhões em exportações.

Simultaneamente, o governo brasileiro iniciou os trâmites da Lei de Reciprocidade, que permite a adoção de medidas de retaliação contra ações comerciais consideradas injustas. Nesta fase inicial, consultas estão sendo realizadas com os Estados Unidos e diversos ministérios, que devem apresentar suas avaliações antes de qualquer decisão sobre possíveis respostas às tarifas.

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