O surto de Ebola no leste do Congo, considerado o mais rápido da história, se expandiu para duas novas zonas de saúde, totalizando 60 áreas afetadas. As novas regiões impactadas são Biena e Manguredjipa, localizadas na província de Kivu do Norte. A taxa de letalidade nessas áreas é alarmantemente alta, superando a média geral de 48%, em parte devido à lentidão na resposta às medidas de contenção.
Dados do governo indicam que o surto já contabiliza 5.794 casos confirmados e 2.786 mortes, com a propagação ocorrendo em um ritmo sem precedentes, superando os esforços de rastreamento e controle. As condições para o combate ao vírus são extremamente desafiadoras, afetadas por insegurança, deslocamentos populacionais, uma greve de profissionais de saúde e intensos movimentos de pessoas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a situação permanece fora de controle e pode superar o surto de Ebola na África Ocidental entre 2014 e 2016, que resultou em mais de 11.000 mortes. Em resposta, a organização Médicos Sem Fronteiras anunciou a abertura de um novo centro de tratamento em Beni, na província de Kivu do Norte, para melhorar a resposta na região.
Embora a maioria dos casos esteja concentrada na província de Ituri, Kivu do Norte apresenta uma taxa de mortalidade por Ebola de cerca de 69%, uma das mais elevadas do país. O novo centro de tratamento visa acelerar o atendimento a pacientes e fortalecer o rastreamento de contatos, apoiando as autoridades de saúde na contenção do vírus.
Na quinta-feira, o Congo iniciou a vacinação de profissionais de saúde com a vacina Ervebo, que demonstrou eficácia em surtos anteriores de Ebola. Ensaios clínicos estão em andamento para desenvolver uma vacina licenciada para o raro vírus Bundibugyo, responsável pelo surto atual, que não possui vacinas ou tratamentos aprovados.
Embora o surto tenha sido oficialmente declarado em maio, autoridades acreditam que ele já se espalhava desde fevereiro. A doença se alastrou de três zonas de saúde para quase 60, com a maioria dos casos ocorrendo fora das redes de monitoramento. As medidas de controle, como restrições em reuniões públicas e fechamento de aeroportos, têm impactado a vida nas seis províncias afetadas, especialmente em Ituri, que já enfrenta violência rebelde.
O governo implementou ações, como a instalação de equipamentos de saúde e saneamento, mas grupos de direitos civis afirmam que é necessário um esforço maior para construir a confiança da comunidade. Apesar de Uganda ter declarado-se livre do Ebola no mês passado, a OMS alerta que o risco de disseminação transfronteiriça persiste, com a República Centro-Africana sendo identificada como o país com maior risco de contágio.
Fonte: Noticiasaominuto