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Juiz revoga prisão de acusado de feminicídio de Ianny Marry

O advogado Ítalo Estevam, que representa o acusado no processo, participou com exclusividade do programa Olho Vivo e alegou que o material genético nas unhas de Ianny não é suficiente para incriminar seu cliente 17/08.....
Foto: Diariodosertao

O advogado Ítalo Estevam, que representa o acusado no processo, participou com exclusividade do programa Olho Vivo e alegou que o material genético nas unhas de Ianny não é suficiente para incriminar seu cliente

17/08/2026 às 14h24 • atualizado em 17/08/2026 às 14h48

O juiz Ricardo Amorim, da 1ª Vara da Comarca de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, revogou a prisão preventiva de David Arayam de Lima Braga, principal acusado do brutal feminicídio de Ianny Marry Barreto Lira, ocorrido em outubro de 2023. A jovem de 28 anos foi encontrada morta dentro da sua residência, na Rua Josias Farias da Silva, Bairro Sol Nascente (Casas Populares), com sinais de agressão física e abuso sexual. O corpo estava amarrado com roupas e tinha uma calcinha da própria vítima introduzida na boca. A principal suspeita recaiu sobre o ex-namorado dela, David Arayam, principalmente após a perícia coletar material genético dele nas unhas da vítima.

Contudo, o juiz Ricardo Amorim revogou a prisão preventiva do acusado por entender que os conteúdos apresentados pelo Ministério Público como provas não é suficiente. Em um trecho da decisão, referindo-se ao principal ponto da denúncia, o juiz ressalta que

o exame de DNA em questão é suficiente para vincular o réu ao local do crime e confirma a existência de contato dele com a vítima, mas não é suficiente para colocá-lo no momento do crime naquele local.

A decisão atende à apelação da defesa do acusado, que sustenta a tese de

fragilidade probatória, ausência de contemporaneidade e possibilidade fática de transferência secundária de material genético

.

O advogado Ítalo Estevam, que representa o acusado no processo, participou com exclusividade do programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, na tarde desta segunda-feira (17), e apresentou a versão da defesa. Ele alega que o material genético de David nas unhas de Ianny não é suficiente para incriminá-lo, pois o casal teria tido encontros na mesma semana, inclusive na noite que antecedeu o crime.

A defesa sempre demonstrou que o simples fato desse material genético ter sido encontrado nas unhas de Ianny não fazia com que David fosse o assassino, por uma razão lógica de que eles se encontraram antes e essa coleta de material genético ocorreu nesse momento anterior — afirmou o advogado, que acredita na inocência do seu cliente.

Túmulo de Ianny Marry em Cajazeiras (Foto: Fernanda Layse/Diário do Sertão)

Ítalo Estevam relata outros fatos que, segundo ele, apontam para a suposta inocência do acusado. Um dos detalhes levantados pelo advogado é o fato de que no dia do crime, David se apresentou à polícia antes mesmo de começar a ser investigado, e naquela ocasião a perícia não constatou lesões no corpo dele, o que, segundo a defesa, afasta a possibilidade de ele ter se envolvido em luta corporal com a vítima.

Essa situação de David ter se submetido a um exame de ofensa física e não se constatar qualquer tipo de arranhão ou lesão, a defesa entendia que isso, por si só, já o descartava, porque se a perícia realizada no local sugere luta corporal, se a vítima dispões de unhas grandes, obviamente ela ia lutar pela sua vida como um instinto de sobrevivência. Certamente deixaria vestígios no acusado. Esse foi o princípio que me fez assumir esse processo, por saber que estava diante de uma injustiça

, diz o jurista.

Após uma instrução processual perfeita do ponto de vista defensivo, não havia outro cenário a não ser este dessa decisão proferida e publicada hoje pelo juiz doutor Ricardo Amorim, que começa a restabelecer também as reputações que são devastadas quando a pessoa acusada está diante de um processo midiático de repercussão. Essa restauração da reputação começa a partir de hoje. O processo ainda não teve seu desfecho, mas essa decisão equilibra o contexto processual e deixa claro que a acusação não conseguiu reunir provas concretas para manter David preso

, acrescentou Ítalo Estevam na entrevista.

Advogado Ítalo Estevam no programa Olho Vivo (Reprodução)

O advogado também citou conversas nos celulares do acusado e da vítima que foram resgatadas pela perícia e anexadas aos autos do processo. Segundo ele, os diálogos demonstram “contato amoroso recíproco” e “relação saudável” entre os dois.

As conversas demonstram que em nenhum momento David era hostil, possessivo ou tinha qualquer comportamento compatível com alguém com feitio a violência domestica

, alega Ítalo Estevam.

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