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Desmatamento na Amazônia atinge menor índice em dez anos

Os alertas de desmatamento na Amazônia no primeiro semestre de 2023 foram os mais baixos da última década, com 1.295 km² de vegetação nativa perdidos. No cerrado, a área desmatada também apresentou queda significativa.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Os alertas de desmatamento da floresta amazônica no primeiro semestre de 2023 atingiram o menor nível da última década. Entre janeiro e junho, foram registrados 1.295 km² de vegetação nativa perdidos, conforme dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora a situação desde 2016.

No cerrado, a área sob alerta para desmatamento foi de 3.142 km², a menor desde 2021, representando uma redução de 6% em comparação ao mesmo período de 2022. Na Amazônia, a queda foi ainda mais acentuada, com uma redução de 38%.

Os dados foram divulgados na última sexta-feira (10) e indicam uma tendência de queda no desmatamento. O sistema Deter emite alertas para auxiliar na fiscalização, enquanto os números oficiais são obtidos por meio do Prodes, que fornece dados mais precisos e é divulgado anualmente.

Considerando apenas o mês de junho, a Amazônia perdeu 297 km² e o cerrado, 482 km², o que representa uma redução de 35% e 5%, respectivamente, em relação ao mesmo mês do ano anterior.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança Climática, João Paulo Capobianco, destacou que os índices deste ano refletem um processo cumulativo de redução do desmatamento. Ele afirmou que

estamos numa trajetória positiva, tanto na Amazônia como no cerrado

.

A dinâmica sazonal também influencia as taxas de desmatamento, com os meses iniciais do ano apresentando números mais baixos devido à estação chuvosa. O pico do desmatamento costuma ocorrer entre maio e setembro, quando a precipitação diminui.

Desde agosto de 2022, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia é de 2.486 km², o que representa uma redução de 37% em relação ao período anterior. No cerrado, a taxa é de 4.686 km², com uma queda de 8%.

Capobianco, que assumiu a pasta após a saída de Marina Silva para concorrer nas eleições, atribuiu os resultados a uma ação contínua do governo federal em colaboração com governadores e prefeitos. Ele ressaltou que as políticas públicas estão sendo estruturadas para garantir continuidade, independentemente de mudanças na liderança.

A chegada do fenômeno El Niño gera preocupações sobre uma possível seca intensa no segundo semestre, o que pode resultar em aumento do desmatamento e incêndios florestais. O El Niño tende a causar estiagem nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, facilitando a propagação de incêndios.

Os estados de Mato Grosso, Pará e Amazonas lideraram o desmatamento na Amazônia até o momento, enquanto no cerrado, Maranhão, Tocantins e Piauí foram os que mais desmataram. A legislação ambiental é mais permissiva no cerrado, permitindo desmatamento de até 80% da área em algumas regiões.

O desmatamento é a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil, representando 42% do total de carbono emitido em 2024, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg). A meta de zerar o desmatamento é crucial para o cumprimento do plano climático nacional do governo federal.

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