A probabilidade de um super El Niño se concretizar entre outubro e dezembro deste ano subiu para 81%, conforme anunciado nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. Em junho, a previsão era de 63%.
O fenômeno climático, que se caracteriza pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico equatorial, foi oficialmente declarado em setembro. A NOAA destacou que o El Niño se intensificou no último mês e pode ser um dos mais fortes desde o início dos registros, em 1950.
Embora um El Niño mais intenso possa estar associado a eventos climáticos extremos, isso não implica necessariamente em consequências mais severas. No entanto, a classificação elevada aumenta a probabilidade de fenômenos como tempestades, secas e ondas de calor, dependendo da região.
No Brasil, espera-se que o fenômeno cause secas nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, enquanto a região Sul pode enfrentar um aumento nas chuvas. A nova previsão da NOAA sugere um verão excepcionalmente quente para grande parte do país.
O meteorologista Tércio Ambrizzi, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEA-USP), explicou que o El Niño favorece a intensidade de eventos climáticos em regiões sensíveis às mudanças na circulação atmosférica. Ele também observou que o fenômeno pode aumentar o número de ondas de calor, embora o aquecimento global já esteja contribuindo para isso.
Um super El Niño é definido como um aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial igual ou superior a 2°C em relação à média histórica. A NOAA prevê que o fenômeno deve persistir, pelo menos, até o início do outono, em abril do próximo ano.