Search

Governo Lula critica Flávio Bolsonaro por audiência nos EUA

O governo Lula se manifestou contra a participação do senador Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA sobre tarifas comerciais, acusando-o de "intervenção" e de não defender os interesses do Brasil.
Foto: Polêmica Paraíba

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou forte descontentamento em relação à participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington. O evento teve como objetivo discutir as tarifas comerciais que podem ser impostas ao Brasil.

Em uma nota oficial divulgada nesta quarta-feira (8), o Palácio do Planalto classificou a atuação do senador como uma "intervenção" em um debate que envolve os interesses econômicos do país. A audiência faz parte de um processo iniciado pelo governo dos EUA após uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, que analisou práticas comerciais brasileiras e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil.

O governo brasileiro repudiou a participação de Flávio Bolsonaro, ressaltando que, entre os 34 brasileiros inscritos para o evento, apenas ele não se manifestou contra as medidas comerciais discutidas. A nota afirma que o senador optou por legitimar uma investigação considerada injusta, ao invés de contestar as alegações do governo norte-americano.

Além disso, a manifestação do Planalto fez referência ao caso do Banco Master, onde Flávio Bolsonaro mencionou o episódio, mas omitiu informações relevantes, como sua relação com o caso e a origem do esquema de corrupção, que remete ao governo de Jair Bolsonaro. O governo destacou que o senador não mencionou seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, que teria solicitado mais de R$ 130 milhões para a produção de um filme.

Durante a audiência, Flávio Bolsonaro argumentou que a imposição imediata de novas tarifas poderia beneficiar politicamente o presidente Lula nas eleições de 2026, sugerindo que qualquer decisão sobre o tema fosse adiada até após as eleições brasileiras. Ele justificou sua presença no evento como senador e representante da oposição, criticando a ausência de membros do governo federal.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto optou por não enviar representantes oficiais à audiência, a fim de não reconhecer a legitimidade da investigação do USTR, uma postura mantida desde o início do processo. A investigação, iniciada em julho do ano passado, levantou questões sobre o sistema de pagamentos Pix, atuação de plataformas digitais, desmatamento ilegal e corrupção, culminando na proposta de tarifas adicionais que ainda estão sob consulta pública.

PUBLICIDADE

Mais recentes

PUBLICIDADE