O apagão que atingiu dezenas de municípios no Sertão da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte na noite de terça-feira (7) reacendeu a discussão sobre a dependência da rede elétrica convencional. Para evitar desabastecimento em casos de falhas na distribuição, o engenheiro eletricista Marcelo Augusto, da Ative Energia Solar, recomenda a adoção de sistemas híbridos de armazenamento de energia.
Em entrevista ao programa Olho Vivo, da TV Diário, Marcelo destacou que essa tecnologia, já amplamente utilizada no exterior, está começando a se firmar no Brasil como uma solução eficaz para interrupções no fornecimento de energia. Ele enfatizou que a transição para sistemas híbridos, que combinam geração de energia solar com armazenamento em baterias, é essencial para proteger residências, comércios e indústrias de apagões prolongados.
Minha recomendação é a mesma de grandes empresas, tanto nacionais quanto internacionais. Já vemos essa tecnologia muito difundida fora do Brasil, com sistemas de baterias para residências, comércios e indústrias. Aqui na Ative Energia Solar, já trabalhamos com esses sistemas híbridos — afirmou.
Marcelo explicou que, embora a combinação de baterias com placas solares seja ideal, não é uma exigência para a instalação do sistema.
Com a bateria associada à energia solar, você consegue carregar a bateria para que, quando aconteça algo desse tipo, imediatamente ela entre e comece a gerar energia para sua casa, sem precisar aguardar a rede voltar — disse.
O apagão, que começou por volta das 19h, afetou 77 municípios paraibanos, incluindo cidades como Sousa, Cajazeiras, Patos e Pombal. A interrupção foi causada por uma explosão e um defeito técnico na subestação de transmissão em Milagres (CE), operada pela Axia Energia.
O engenheiro ressaltou que, enquanto a mobilização das distribuidoras é rápida em grandes apagões, pequenos incidentes em áreas isoladas podem levar muito mais tempo para serem resolvidos, gerando prejuízos significativos.
Quando é assim, a mobilização da concessionária é mais lenta. A partir do momento que eu instalo um sistema híbrido de bateria, eu estou pronto para funcionar e ter minha internet, luzes e ar-condicionado — explicou.
Marcelo também esclareceu que o sistema é automatizado e não requer ativação manual.
Assim que sente a falta de energia, a bateria já entra automaticamente alimentando as cargas críticas instaladas — afirmou.
Por fim, ele destacou que o armazenamento de energia representa o futuro do setor no Brasil e mencionou parcerias com grandes indústrias para viabilizar projetos na região, incluindo uma colaboração com a multinacional Weg, que está desenvolvendo baterias no país.
Fonte: Diariodosertao