O Ministério da Saúde, em conjunto com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), está conduzindo investigações sobre eventos adversos associados à vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é considerado uma ferramenta crucial para o controle da dengue no Brasil, especialmente em um cenário de aumento da proliferação do mosquito Aedes aegypti devido ao calor e à chuva, condições que devem ser intensificadas pelo fenômeno El Niño.
No dia 8 de junho, o Ministério da Saúde decidiu suspender temporariamente o uso da Butantan-DV no Sistema Único de Saúde (SUS) após a identificação de 42 casos de reações adversas mais graves, que ocorreram após a aplicação da vacina. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os especialistas estão investigando se essas reações estão relacionadas a condições clínicas pré-existentes dos pacientes.
A partir dessa investigação, será definido como a vacina poderá ser utilizada de forma segura para a população — declarou Padilha durante o Fórum de Saúde promovido pela Amcham Brasil, onde discutiu os desafios da regulação e inovação no setor.
O ministro também ressaltou a relevância do Brasil no setor de saúde e abordou a crise climática como um fator que impacta diretamente a saúde pública. Ele citou que um em cada 12 hospitais paralisaram suas atividades devido a desastres climáticos, conforme relatório apresentado na COP30 em parceria com a Organização Mundial da Saúde.
Embora não tenha uma previsão exata para a conclusão das investigações sobre a Butantan-DV, Padilha espera que os resultados sejam divulgados em breve. O Instituto Butantan está colaborando com a Anvisa para fornecer informações sobre os casos analisados. O Ministério da Saúde também formou um painel de especialistas para discutir possíveis cenários, que podem incluir restrições no uso da vacina.
Em junho, paralelamente à suspensão da Butantan-DV, o Ministério da Saúde anunciou a aquisição de 18 milhões de doses da vacina Qdenga, fabricada pela farmacêutica japonesa Takeda, garantindo sua disponibilidade no SUS até 2027. A Qdenga continuará a ser administrada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com mais de 8 milhões de jovens já vacinados.
Além disso, Padilha comentou sobre os cinco casos recentes de sarampo registrados na zona norte de São Paulo, que estão relacionados a surtos na Bolívia. Em 2025, o Brasil notificou 38 casos de sarampo, todos importados, e destacou que a vacinação tem sido fundamental para evitar a propagação da doença.
Recentemente, alertas foram enviados a moradores de São Paulo e Guarulhos, incentivando a vacinação contra o sarampo, que é gratuita e disponível no SUS para pessoas entre 6 meses e 59 anos. O ministro reafirmou que a recertificação do Brasil como país livre do sarampo, conquistada em 2024, não está ameaçada.