Reprodução: Internet
Em entrevista exclusiva ao “Polêmica Paraíba”, o ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB), pré-candidato ao governo do Estado, enfatizou que não terá palanque de apoio a candidato a presidente da República nas eleições deste ano, embora o senador Veneziano Vital do Rêgo, que o convidou a ser postulante pelo partido, seja o maior aliado do presidente Lula no Estado. “Não sou dono do voto de ninguém”, acrescentou, lembrando que o MDB tem a tendência de liberar os seus filiados e que outros partidos que têm candidatos à Presidência da República estão lhe apoiando. “Eu vou ter o palanque da Paraíba, lutar pelos interesses do seu povo, seja qual for o presidente eleito”, frisou.
Cícero revelou detalhes do seu rompimento com o PP e com a liderança do ex-governador João Azevêdo (PSB), dizendo que deixou o partido porque ele fez uma “opção hereditária” e que esse cenário não lhe cabia. Contou que não foi fácil tomar a decisão de renunciar à prefeitura da Capital pouco tempo depois de ter sido eleito pela quarta vez para dirigir os seus destinos, mas entendeu que poderia fazer mais pela Paraíba e que deseja retribuir o que Deus e a vida lhe deram cuidando do desenvolvimento da população e colocando o Estado num patamar de mudança e de inovação. Ex-vice-governador de Ronaldo Cunha Lima na década de 90, Lucena assumiu a titularidade do cargo por dez meses quando o poeta renunciou para concorrer ao Senado. Seu vice, no pleito deste ano, é o jovem empresário Diogo Cunha Lima, filho de Cássio e neto de Ronaldo.
A Paraíba precisa ter um governante com sensibilidade
, proclama o ex-gestor de João Pessoa.
A respeito da relação com o governo federal, caso venha a ser eleito, independente de quem for o presidente, exemplificou que tanto no governo de Jair Bolsonaro quanto no do presidente Lula, no período em que esteve à frente da prefeitura pessoense, foi bafejado por ações em diferentes áreas de atividade, pela capacidade que demonstrou de levar projetos bem elaborados que tiveram a aprovação do Palácio do Planalto.
Nesse processo eleitoral, não estou preocupado em derrotar ninguém, mas em contribuir para que a Paraíba ganhe
, frisou, em outro trecho da entrevista. Cícero Lucena, que foi Secretário de Políticas Regionais, com status de ministro, no governo Fernando Henrique Cardoso, e elegeu-se senador em 2006, criticou a falta de transparência num contrato firmado entre a Cagepa e uma empresa da Espanha, já na gestão de Lucas Ribeiro, dizendo que há pontos obscuros referentes à exploração de serviços de esgotamento sanitário. E prometeu que, se eleito, uma das primeiras providências será cancelar o contrato celebrado.
Cícero disse que se sentiu desrespeitado quando foi comunicado pelo governador João Azevêdo que o pré-candidato à sucessão seria o então vice Lucas Ribeiro.
Não fomos consultados. A gente soube pela imprensa. E eu disse que não aceitava. Eu queria critérios, somente isso, nada demais
. Ao romper com o Progressistas, ele foi convidado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo a ingressar no MDB com a condição de ter espaço para candidatar-se ao Executivo. “Temos certeza de que venceremos esta eleição para transformar a Paraíba”, manifestou ele.
A ENTREVISTA
Qual a motivação que o levou a disputar o governo do Estado, pouco tempo depois de ter sido eleito pela quarta vez para prefeito da Capital?
A minha motivação foi em função da minha história, da minha vida, da minha experiência, e por compreender que a Paraíba neste momento está precisando aproveitar a possibilidade de crescer cada vez mais. Para isso, precisa de alguém que tenha, efetivamente, conhecimento, experiência e que tenha compromisso com esse desenvolvimento. A meta é aproveitar o que está acontecendo hoje e dar um novo ritmo para que possa potencializar isto que a Paraíba está vivendo. Eu me considero com condições de fazer pela Paraíba e, particularmente, posso dizer que Deus já me deu muito, me deu muitas chances na minha vida e acho que estou pronto para retribuir tudo aquilo que eu tive, cuidando do nosso Estado, do seu desenvolvimento, do seu crescimento, das suas potencialidades, colocar a Paraíba com uma visão de futuro, inovadora, como fruto daquilo com que consegui conviver e aprender, meu relacionamento nacional e até mesmo internacional, para beneficiar a Paraíba neste momento. Então, esta é a grande motivação: saber que o que deu certo em João Pessoa eu posso levar a um governo do Estado municipalista, realizando iniciativas como a que realizei quando criei 52 municípios na minha administração estadual em 1994, naquele curto período de governador que tive, cerca de nove meses. Eu criei porque identificava os problemas, como vice-governador junto com Ronaldo Cunha Lima, os problemas de infraestrutura de distritos, que alguns não tinham água, outros não tinham nem energia, não tinham assistência médica de saúde, não tinha uma educação à altura e os alunos tinham que se deslocar a pé, ou em lombo de animal para poder estudar nas sedes dos municípios. Hoje você verifica que quase todos os municípios melhoraram a qualidade de vida, mas é dentro daquela filosofia: João Pessoa hoje está ótima, mas pode melhorar. Com essa visão e a capacidade de trabalho que tenho, quero oferecer isto à Paraíba e aos paraibanos.
O senhor diria que essa experiência adquirida é o que lhe credencia em relação aos adversários nas eleições deste ano?
Acho que a experiência da vida toda, porque entrei na vida pública como vice-governador, e todos acompanharam qual era o modelo de gestão. Ronaldo confiava muito no meu trabalho, me delegou missões importantes da Paraíba, como coordenar a Comissão Interpoderes para atualização dos salários e, a gente sabe o quanto era difícil aquele momento, colocar-se no lugar de servidores que tinham seis meses de salário atrasado, desestruturando toda uma família, toda uma vida. Encontrei há poucos dias uma pessoa no interior que me disse que se lembrava do sacrifício dos pais naquele período. Promovemos a reabertura do Paraiban, que tinha sido fechado; tivemos, também, a coordenação desse trabalho, entre outras ações, tanto que quando assumi o slogan era “O Governo a seu serviço”. Eu só acrescentei o “sempre”, dando continuidade a todas as obras, a ações em Campina Grande. Isto, sem dúvida nenhuma, me preparou para outros cargos. De lá saí para o ministério (de Políticas Regionais), onde tive a chance de coordenar a transposição das águas do rio São Francisco, que era sob a nossa responsabilidade e da Defesa Civil. Em janeiro de 95, quando assumi o ministério, a gente teve cheias em João Pessoa, em Espírito Santo, Mataraca, Mulungu, e eu construí casas, mandei recursos para a construção de casas. Na transposição, a gente criou, juntamente com Catão (Fernando Catão) um novo eixo que entra pela Paraíba pelo rio Paraíba, por Monteiro, que era o mais rápido e o mais barato, e precisava ser feito, com adutoras que ainda hoje não foram construídas. Quer dizer, eu com certeza estarei dando conclusão a essas demandas. Também tem a transposição para o Vale do Piancó, que com certeza também estarei abraçando junto ao governo federal, com o Estado até com disposição de participar da execução de medidas para a segurança hídrica do nosso Estado. Então, todas essas situações me proporcionam a condição de experiência, não só pelas dificuldades, mas pela necessidade de modernização. Eu e Ronaldo estadualizamos a UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) e criamos já alguns “campi” descentralizados. O que hoje precisa a UEPB? Precisa ser respeitada, inclusive, na questão orçamentária, na sua independência, obviamente com novas missões, com novos campos que possam ser incorporados. Estamos discutindo a possibilidade de que Escolas Técnicas fiquem sob a responsabilidade da UEPB, a exemplo do que temos o Instituto Federal de Educação, que oferece cursos mais rápidos, mas também a nível universitário. Na Saúde, podemos pegar o exemplo de João Pessoa de avanços, de conquistas. Eu sei a carga que é a ausência do Estado na interiorização da saúde, o que representa para João Pessoa e Campina Grande, diminuindo a qualidade dos serviços que são prestados aos munícipes dessas cidades. E tem que ser feito como eu faço aqui. João Pessoa tem cerca de 850 mil habitantes, cerca de 150 mil têm plano de saúde, então era para João Pessoa ter cerca de 7 mil cartões SUS. Nós atendemos l milhão e 400. Campina também sofre isso. Aqui em João Pessoa conseguimos equacionar, em Campina teve dificuldade, mas o governo atual chega como se estivesse resolvendo um problema de saúde que ele criou. Como é concebível que a prefeitura de João Pessoa gaste por ano R$ 130 milhões só com tratamento de câncer, quando mais da metade dos pacientes não são de João Pessoa, e o Estado tem no orçamento um programa “Paraíba contra o Câncer”, no valor de 35 milhões de reais por ano? Isto mostra que há um desequilíbrio, e eu quero fazer ações para melhorar tudo isso. Para aproveitar o potencial turístico, como fizemos em João Pessoa, poder interiorizar isso, aproveitar a força do São João. Campina Grande tem um papel importante, fundamental, e precisamos acabar com essa discussão de que, dependendo do humor do governador, ele financia ou não um item tão importante, tanto cultural quanto economicamente. Isto tem que ficar definido, independente de governador, de prefeito, se são aliados. A cidade precisa, sim, da estruturação de um governo que seja municipalista, que invista na Educação municipal de João Pessoa, que hoje tem “Pé de Meia”” para todos os alunos enquanto o “Pé de Meia” do governo federal é para os que estão no Bolsa Família. Eu posso, sim, e vou assumir o “Pé de Meia” para todos os alunos do Estado. São essas experiências que pretendo amplificar, fazer uma Saúde de qualidade, com equipamentos modernos, tecnologia, inovação. Hoje, os nossos alunos têm tablet, tem tecnologia, tem internet, quando muitas famílias não poderiam pagar esse equipamento. Eu sei que muitas missões são do município, mas o Estado pode chegar junto, aos professores, na formação, pode construir creche, implantar a creche. João Pessoa tem quase 80 mil alunos, o que representa quase 10% da população. O Estado tem 200 mil alunos. Quer dizer, quem cuidou melhor da educação no município de João Pessoa tem experiência, tem capacidade e, mais do que isso, tem vontade de fazer, porque eu sou filho da escola pública municipal, estadual e federal, então o sei do valor disso. Não vou fazer promessa de campanha, eu já fiz. Esta é uma diferença entre os candidatos: eu não vou estar fazendo promessa, eu tenho vivência. Quando falo em segurança hídrica, segurança alimentar, apoio ao pequeno agricultor, eu falo com a certeza de que fizemos no governo Ronaldo e Cícero. Quem inventou o Pão & Leite para comprar o leite dos pequenos produtores e garantir a alimentação para aqueles que precisavam de segurança alimentar? Eu fiz lá, fiz na prefeitura e, se Deus permitir, vou fazer no Estado, obviamente atualizando, modernizando, inovando. Na caminhada pelo Estado, tenho sentido que está faltando um governo que tenha sensibilidade, não é um governo de ar condicionado nem de tela de computador. É também. Nós somos um bom gestor, tanto que João Pessoa hoje é a queridinha do Brasil, é a Capital com a melhor qualidade de vida, quando é analisada economicamente ganha prêmio de transparência em gestão, prêmio do Tesouro, com a melhor avaliação do Tesouro, 3-A. Nós cuidamos de gestão, valorizamos os funcionários. João Pessoa tem hoje o melhor salário entre as Capitais do Nordeste, somos o terceiro melhor salário entre as Capitais do Brasil. Vamos valorizar a Segurança Pública, como temos feito em João Pessoa com câmeras de reconhecimento facial, algo que não era obrigação minha, mas sabemos da importância da Segurança para a vida das pessoas, nós adotamos “smart citie”, a melhor plataforma de cidade, igual à de São Paulo para fornecer essas imagens para as forças de segurança do Estado. Então, João Pessoa adota o apoio à Segurança Pública e, como governador, nós vamos auxiliar, inclusive, no combate ao tráfico, que é de outras responsabilidades, porque sei que o item de Segurança é fundamental como é o item da Saúde, como é o da Educação. Eu posso falar em infraestrutura viária porque pratiquei em João Pessoa, fiz uma estrutura com calçadas padronizadas, acessibilidade, plantando árvores na frente de imóveis adotados por particulares. Se eu for falar da causa pet, João Pessoa criou o primeiro Centro de Zoonose, quando nem se falava em causa pet. Depois, com a minha volta, tem uma Clínica, tem um Hospital, tem um banco de alimentação, estamos buscando alternativa de fazer um outro hospital, também de tratamento de câncer para pet. Quer dizer: é fazer mais e melhor. Tenho autoridade de dizer que vou descentralizar a causa pet no governo do Estado, apoiando a prefeitura, estabelecendo centros regionais, discutindo a questão do fornecimento da ração para os protetores. Temos apoiado crianças autistas nas nossas escolas. Eu sei fazer, e, melhor do que isso, eu quero fazer. E vou mostrar que um governo precisa ter decisão, ter autonomia, experiência para enfrentar os problemas, gerenciar o dia a dia, mas preparar o futuro. Esse é o tripé do bom gestor.
O senhor acha que o governo de João Azevêdo, continuado por Lucas Ribeiro, tem sido midiático ou tem oferecido resultados concretos?
Quem está dizendo não sou eu. Eu tenho andado. E outra coisa em que estou muito à vontade nesse processo eleitoral é que não quero derrotar ninguém, eu quero que a Paraíba ganhe. Agora, você chegar e dizer que tem um programa, o “Tá na Mesa”, que na mídia parece que está matando a fome do povo da Paraíba, credenciou 217 restaurantes, sacrificando pequenos empresários em pequenas cidades, por terem montado cozinhas, equipamentos e não serem autorizados a fornecer. De 98 autorizados, tem mais de vinte fechados, porque o pagamento está atrasado. Pagaram fevereiro e a metade de março e o governo diz que está atualizando. Atualizando? E os outros meses? Vão fechar esses restaurantes, e o governo diz que tem 4 bilhões em caixa e não cumpre esse pagamento. Parece que virou prática no governo. Os vigilantes estão aí, postando, cobrando atraso por parte de empresa que presta serviço ao governo do Estado. Em Cajazeiras, houve ainda agora uma paralisação de transportes da Cooperativa Escolar por seis meses de atraso. Será que eu vou ter que atualizar todos esses atrasos, de novo? Então, que governo é esse, onde a Saúde está do jeito que está? O Hospital Metropolitano está fazendo 10% das cirurgias que eu faço na cidade de João Pessoa. O povo, coitado, vem do interior do Estado para fazer exame, fazer tratamento em João Pessoa e Campina Grande, mas, na mídia, parece que é o céu. Eu tive em Cuité, uma das grandes cidades do curimataú, que não tem água, é abastecida por poço. Tem comércio extra de poço. Uma cidade que em 2014, na campanha, eles desfilaram os canos. Estou falando de doze anos atrás. 0 governo está piorando, a gente está vendo isso. Adiaram o concurso de professores para depois da eleição como se fosse um processo de estelionato eleitoral. Agora, pesquise no site do Tribunal de Contas e você vai ver – acredito que o Gaeco já está vendo – agentes políticos que foram nomeados ganhando 5, 6 mil em colégios, enquanto faltam professores, que ganham menos do que isso. Eu tenho certeza de que os órgãos de fiscalização vão atuar, porque se eu não acreditar nisso eu não acredito em mais nada.
O que o senhor pretende fazer em relação à Cagepa, diante da polêmica criada a partir do contrato firmado com uma agência espanhola?
O prefeito Leo Bezerra já entrou, inclusive, com um pedido de suspensão desse processo. Na minha candidatura em 2020, eu assumi o compromisso de que não privatizaria a Cagepa. A concessão estava vencendo, é um direito de cada município, e eu disse que renovaria essa concessão com a Cagepa, que eu não privatizaria. Renovei em 2024, cumpri, por causa da minha experiência como governador. Sei da importância da Cagepa para fazer o abastecimento no interior do Estado. Tem muitas pequenas cidades que são deficitárias e tem cidade que não tem abastecimento, como é o caso de Cuité. Então, a Cagepa não fez os investimentos necessários. Quando assumi a prefeitura de João Pessoa, tinha 32% de saneamento básico, de esgotamento sanitário. Na minha relação em Brasília, como ex-ministro, consegui recursos para a prefeitura de João Pessoa, para vários bairros da nossa cidade, e deixei com 74%. E doei sem custo para a Cagepa, que é que estava operando. Hoje, a Cagepa em João Pessoa está ainda com 82%. Nos termos que firmamos, estabelecemos que eles têm que universalizar, chegar a 100% em João Pessoa até 2035. A programação da empresa que está chegando aí é de 25 anos. E me ofereceram 1 bilhão pela concessão. Mas eu fiz opção de salvar a Cagepa porque a Cagepa é importante, o preço da água em João Pessoa é mais caro para a Cagepa poder fazer investimentos em municípios que são deficitários. Isto é espírito público. Faltou transparência no processo atual. O governo não chamou os 85 prefeitos para informar o que era bom para cada cidade. Para mim, eu tenho interesse que seja bom para João Pessoa, não é para mim. Por quê não fizeram audiência pública? Deixaram para fazer uma audiência virtual com a Assembleia Legislativa fechada. Ou a Assembleia não representa o povo da Paraíba? Por quê às escondidas? Fizeram no mês de janeiro, quando o povo ainda estava com a cabeça no réveillon. O Sindicato disse que as críticas que fez na audiência pública eles apagaram. Em São Paulo e outros Estados que vão fazer negócios desse tipo os governadores fazem viagens internacionais. Aqui, só teve uma empresa, que é proibida de licitar na Espanha, na sede. Em uma hora e quarenta minutos foi fechado o leilão, já estava no site do BNDES. Uma proposta de R$ 3 bilhões. O governo recebeu e a empresa vai investir R$ 9 bilhões, e é menor do que a Cagepa.
O senhor acha, então, que houve jogo de cartas marcadas e que o governo deixa uma herança maldita?
Com certeza. Tudo indica. Por quê essa pressa? Se é bom, por que não abre as audiências públicas? Qual o problema? Vamos debater, vamos ser transparentes, avançar no que é necessário, mas não desse jeito. Uma coisa eu garanto: esse processo, se Deus permitir de eu ser governador, eu cancelo no dia primeiro de janeiro.
Quando é que desandou a parceria entre o governo do Estado e a prefeitura de João Pessoa?
Nós tínhamos uma convivência política. Nada mais natural que no processo político as escolhas sejam feitas por critérios. Você não pode pegar o governo do Estado e dizer: eu vou dar ao meu filho para governar. Tem que respeitar o povo. Em momento algum os aliados políticos admitiram que qualquer que fosse candidato com critério, a não ser “o herdeiro”. Esse foi o momento. Puxaram uma chapa, anunciaram pela imprensa sem respeitar a cidade de João Pessoa, sem respeitar aliados, eu e Leo e tantos outros. Não fomos consultados. A gente soube pela imprensa. E eu disse que não aceitava e disse que meu partido deveria me tratar com respeito. Eu queria critérios, somente isso, não era nada demais. Se no critério eu não atendesse, não tinha problema nenhum. Não pense que a decisão de deixar João Pessoa na condição em que ela está, de desenvolvimento, de futuro, é uma decisão fácil, a não ser a minha vontade de servir à Paraíba, o que sempre me alimentou. Mas, tirar o nome do bolso…Aí, logo em seguida, você vê: o governo tem oito secretários que nunca tiveram uma carteira assinada, ocupando cargo de secretário só porque é filho de pré-candidato a deputado. E o jovem da Paraíba, o que está refletindo sobre isso? Não vai ter chance nunca. Se esse modelo ocorrer, não vai ter outro Cícero, que veio lá do Sertão para sobreviver, sobreviveu, teve oportunidade na vida e foi candidato. Esse jovem vai acreditar em que na política? Aí pensa que o marketing vai dizer que o governo é novo. Novo? Que não paga aos pequenos produtores, a sua fonte de renda, de sobrevivência? Novo, porque não paga aos vigilantes, com três meses atrasados? Eu perdi noites de sono quando Ronaldo me deu a missão, quando eu abria a geladeira da minha casa e tinha comida, e eu sabia que tinha funcionário que não tinha mais nem geladeira. Teve que vender para poder comprar comida. Não é só atrasar o pagamento de um fornecedor, é tirar a comida de quem precisa. Eu quero evitar um governo que tem como prioridade a eleição. Para mim, a prioridade é o futuro deste Estado.
Em nenhum momento, João Azevêdo discutiu com o senhor a viabilidade da sua candidatura ao governo?
O governador João fez a opção de dizer que era problema do partido. E o partido já tinha um herdeiro. A questão foi essa.
O senhor também acha que faltou correção do PP em relação à sua trajetória política?
Eu tinha optado por não participar mais da política, mas no começo de 2020 eu fui procurado por vários partidos para que eu fosse candidato. E eu disse que não queria, cheguei a sugerir que o mandato fosse prorrogado para ter coincidência de eleições. Eu achava que naquele momento a gente precisava ter todo o foco, todo o trabalho, toda a inteligência, no enfrentamento de algo que era desconhecido do mundo, que era a covid. Eu defendi isso. Quando foi se aproximando o prazo de filiação, eu me preocupei muito, porque João Pessoa poderia ter uma possibilidade de segundo turno e estaria muito em cima da posse. Dos candidatos daquela época, nenhum tinha experiência, efetivamente, de gestão pública. E experiência, naquele momento, era fundamental. É sobre isso que a Paraíba tem que refletir. Governo do Estado é o cargo mais importante de gestão pública. A Paraíba vai refletir sobre isso, é isso que a campanha vai deixar de forma muito clara. Aí, fui candidato. O PP tinha me convidado, Aguinaldo (Ribeiro) me convidou, como me convidaram outros partidos. E eu fui candidato, ganhamos a eleição. Dei minha contribuição na reeleição de João, apesar de alguns problemas, porque eu defendia a candidatura de Aguinaldo para o Senado. Ele dizia que era candidato, o Republicanos não queria ele, e chegou a oferecer para que Mersinho fosse candidato. Eu disse que não queria porque tinha um compromisso com Aguinaldo e, quando foi de última hora, Aguinaldo retirou a candidatura. Quando Aguinaldo saiu, eu disse: o partido precisa ter um espaço na majoritária. Na Granja Santana, eu sugeri o nome de Lucas como vice, e assim aconteceu. Quer dizer: em todos os momentos agi com correção e lealdade. Agora, dentro de um partido que pleiteia opção hereditária, não me cabe.
Em 2010 o senhor chegou a percorrer o Estado como provável candidato o governo, juntamente com o então senador Efraim Moraes. E Cássio, na volta do exterior, anunciou o apoio à candidatura de Ricardo Coutinho a governador. Ficou mágoa por conta daquele episódio?
Isso é do processo político. Às vezes você pode interpretar que está tomando a decisão correta, para você, nem sempre que seja externamente. Obviamente que eu plantei a minha posição naquela época, e acho que houve posicionamentos diferentes, mas nada que tenha estremecido relações pessoais. É tanto que estamos aliados.
Qual é a sua posição em relação à disputa presidencial?
Meu presidente é a Paraíba. Eu tenho experiência suficiente para isto, sei que hoje temos mais de um candidato para presidente, e eu estou focado em ajudar a Paraíba. Tenho capacidade para isso. Não sou dono do voto de ninguém. Eu tenho meu voto e busco conquistar, convencer o eleitor a votar em mim, nas propostas e na minha prática de vida. Então, eu como prefeito de João Pessoa, no primeiro ano, na crise da pandemia, o presidente era Bolsonaro. Fui a Brasília, consegui respiradores, monitores, vacinas. Mas os projetos que eu apresentei para João Pessoa no governo Bolsonaro foram todos aprovados. Da mesma forma no governo Lula. João Pessoa, proporcionalmente, foi a cidade que mais recebeu recursos em habitação. Tivemos, agora, mais quatro conjuntos habitacionais aprovados pelo governo Lula. O primeiro projeto de periferia viva, quando Lula lançou o PAC, contemplou João Pessoa, que foi uma das primeiras cidades, além dos Corredores de Transporte, financiamento de ônibus elétrico, bem como foi contemplada no PAC da Saúde. Então, quando eu for administrar, vou preparar projetos de interesse do Estado. Ou você acha que quando eu assumir o governo do Estado em janeiro de 2027, quem quer que esteja na presidência, eu não vou lá lutar pela transposição das águas do Piancó? Este é um exemplo de tantos outros projetos. Aonde estiver faltando adutora, eu vou bater na porta de quem quer que seja, vou ao presidente da República pedir água para o povo beber. Será que algum presidente vai negar isso?
Sim, mas em que palanque o senhor vai subir na campanha para presidente da República?
Eu não tenho palanque. O meu partido, o MDB, tem a tendência de liberar os seus filiados. Outros partidos estão me apoiando e tem outros candidatos à Presidência. Eu vou ter o palanque da Paraíba.
O senhor acha que o presidente Lula vai se envolver na disputa aqui no Estado?
Eu tenho acompanhado o posicionamento de Lula em relação a outros Estados, e para mim seria por demais natural essa liberação aqui. O maior aliado dele, na Paraíba, com todo respeito ao PT, é o senador Veneziano Vital do Rêgo.
O senador Efraim Filho (PL) tem dito que vai para o segundo turno, sem escolher adversário. Qual é a sua perspectiva em relação a um segundo turno?
Você imagine um candidato admitir que não vai para um segundo turno. Seria algo inusitado. Mas eu tenho trabalhado, tenho andado, estamos construindo uma boa proposta para a Paraíba, tenho levado minha mensagem a todos os recantos do nosso Estado e eu estou bastante confiante no resultado desta eleição. Estou trabalhando efetivamente para ser o vencedor desse projeto para a partir de 2027. O que tenho ouvido do senador Efraim, publicamente, é que caso ele não vá para o segundo turno ele votaria em mim. E o que eu tenho respondido é que caso ele vá para o segundo turno e eu não vá, eu votarei nele. A recíproca é verdadeira.
E por que ele diz que não considera o senhor candidato oposicionista, mas dissidente do bloco governista?
Cada candidato diz o que quer. Eu poderia dizer também que não considero ele um político de extrema-direita. Até porque a sua vida não foi nesse caminho.
Fonte: Polemicaparaiba