O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou que a proposta que altera a escala de trabalho 6×1 será analisada apenas após as eleições deste ano. A decisão ocorre em um momento em que o Congresso Nacional opera em ritmo reduzido, com os parlamentares focados nas articulações eleitorais.
A presidência do Senado acredita que o tema, considerado de grande impacto econômico e social, deve ser discutido em um ambiente menos influenciado por interesses eleitorais. Nos bastidores, assessores de Alcolumbre afirmam que a estratégia é garantir uma análise mais técnica sobre os efeitos da proposta, evitando que o projeto se torne uma pauta de campanha.
A expectativa é que as audiências públicas e a tramitação da matéria sejam retomadas apenas no último bimestre do ano. A chegada da senadora Teresa Leitão (PT-PE) à liderança do Governo no Senado não alterou esse cenário. Embora a parlamentar tenha tentado acelerar a discussão, a presidência manteve o planejamento do calendário legislativo.
A decisão de Alcolumbre também reflete a pressão de representantes do setor produtivo, comércio e serviços, que pedem uma análise mais aprofundada dos impactos da redução da jornada de trabalho. Entidades empresariais alertam que mudanças sem um período de transição podem elevar custos, pressionar a inflação e afetar a geração de empregos.
Outro fator que influencia o ambiente político é o distanciamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Davi Alcolumbre, que não se reuniram desde a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) em abril deste ano.
A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. Agora, o texto aguarda análise no Senado.