O governo brasileiro enviou um documento aos Estados Unidos contestando a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sugerida pelo Representante Comercial dos EUA (USTR). O Itamaraty argumentou que essa medida poderia prejudicar as próprias empresas norte-americanas.
O documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destaca que
amplas tarifas sobre produtos brasileiros imporiam custos reais à economia dos EUA
. Além disso, 43 empresas e associações comerciais americanas já solicitaram a exclusão de produtos de quaisquer tarifas, enfatizando a falta de substitutos nacionais e o risco de repasse de custos aos consumidores e indústrias dos EUA.
O governo brasileiro também contestou a afirmação do USTR de que o sistema de pagamentos Pix discrimina empresas dos EUA, lembrando que empresas como Google Pay Brasil e Visa atuam dentro do Pix. O documento ressalta que essa alegação contradiz a realidade do mercado.
Além disso, o Itamaraty defendeu que a proposta de tarifa poderia minar o diálogo entre os países, onerando a relação bilateral de comércio e investimento. O governo brasileiro acredita que a ameaça do tarifaço foi politizada por autoridades dos EUA em um contexto eleitoral.
O relatório do USTR utilizou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para sustentar que o Brasil estaria discriminando empresas norte-americanas. O ministro Vieira rebateu essa afirmação, destacando que a confidencialidade de processos judiciais é necessária para a integridade das investigações.
O governo brasileiro também refutou argumentos sobre corrupção, desmatamento ilegal e acesso ao mercado de etanol, afirmando que os acordos comerciais com México e Índia foram negociados de acordo com as regras do comércio global. O Itamaraty ressaltou que o Brasil possui um robusto sistema de combate à corrupção, corroborado por avaliações de organizações internacionais.
Em relação ao desmatamento, o governo destacou que tem aumentado os investimentos em monitoramento e combate a crimes ambientais, além de ter uma legislação ambiental rigorosa. O documento conclui que a tarifa sobre o etanol se aplica igualmente a todos os países que não têm acordos preferenciais, não discriminando os EUA.