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Estudo aponta que onda de calor na Europa é a mais intensa da história

Um estudo do WWA revela que a atual onda de calor na Europa é a mais severa já registrada, com impactos diretos na saúde e infraestrutura. A mudança climática é apontada como a principal responsável.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Um estudo publicado nesta sexta-feira (26) pelo WWA (World Weather Attribution) revela que a onda de calor que atinge a Europa nesta semana é a mais intensa e abrangente já registrada na região. Theodore Keeping, pesquisador associado do Imperial College, destacou que a mudança climática tornou esse evento praticamente impossível há 50 anos.

De acordo com o estudo, nos últimos 50 anos, a temperatura média do planeta aumentou 1,1°C, o que alterou significativamente a probabilidade de ocorrência de ondas de calor como a atual. Keeping afirmou que

esse evento não teria sido possível em um mês de junho sem as mudanças climáticas

.

A pesquisa também aponta que a responsabilidade pela crise climática está ligada principalmente à queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás. Simon Stiell, chefe do clima na ONU, mencionou o "vício mundial" em energia suja, que é mais cara do que as alternativas renováveis.

O estudo indica que a probabilidade de temperaturas máximas diárias como as registradas esta semana ocorrerem durante três dias consecutivos aumentou mais de 500 vezes. Na França, por exemplo, o país registrou, na quinta-feira (25), seu dia mais quente da história por três dias seguidos.

Além disso, duas usinas nucleares foram desligadas na França devido ao aquecimento excessivo da água dos rios, utilizada para resfriar os reatores. As chamadas "noites tropicais", em que as temperaturas permanecem acima de 20°C durante a noite, já afetam países como Reino Unido, Espanha, França, Alemanha, Áustria e Itália.

A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) considera a situação grave, pois impede a recuperação do corpo humano após dias de calor intenso, aumentando o risco de fadiga e doenças relacionadas ao calor, especialmente em grupos vulneráveis como crianças e idosos.

O serviço de ambulâncias de Londres registrou um número recorde de chamados, com 642 ocorrências na quinta-feira. Em Paris, a venda de bebidas alcoólicas foi proibida durante os períodos mais quentes do dia como medida preventiva.

Apenas 20% das edificações na Europa possuem ar condicionado, e no Reino Unido esse número é de cerca de 5%. Carolina Pereira Marghidan, do Centro de Clima da Cruz Vermelha Crescente Vermelho, destacou que muitas infraestruturas foram projetadas para climas mais frios.

Comparando a situação atual com a onda de calor de 2003, que resultou na morte de mais de 70 mil pessoas, Marghidan ressaltou que muitos países implementaram sistemas de alerta e planos de ação que têm salvado vidas, embora ainda não sejam suficientes.

O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, mencionou que apenas 200 das 600 escolas da cidade estão adaptadas ao calor, evidenciando a dificuldade de adaptação às novas condições climáticas.

O estudo do WWA também revelou que 45% de 854 cidades analisadas em 30 países europeus já atingiram ou devem atingir marcas históricas de Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG), que mede o estresse térmico.

A combinação de calor intenso e umidade é considerada perigosa, pois dificulta o resfriamento do corpo. A análise conclui que eventos como o atual seriam 3,5°C mais frios há 50 anos, e que a mudança climática é a principal responsável, afastando a influência do fenômeno El Niño.

Friederike Otto, professora de Ciência do Clima do Imperial College, resumiu a situação:

Sim, é a mudança climática; sim, a culpa é nossa; não, não é o El Niño. Sim, temos as soluções; não, não estamos colocando-as em prática com a rapidez necessária

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