O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu deixar o cargo de líder do governo no Senado nesta quarta-feira (24). A decisão foi tomada após ele ser alvo de uma operação da Polícia Federal, que investiga suspeitas de recebimentos de pagamentos relacionados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Wagner, que resistia à ideia de se afastar, tomou a decisão após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente estudava demitir o senador, mas preferia que Wagner tomasse a iniciativa de se afastar.
A saída de Wagner é vista como uma tentativa de preservar a imagem do governo petista em meio ao escândalo que surpreendeu seus aliados. O presidente Lula, que concorrerá à reeleição neste ano, busca evitar que sua candidatura seja afetada pelas investigações.
Na última segunda-feira (22), a defesa de Wagner apresentou um recurso contra a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a busca e apreensão em endereços do senador. A defesa nega as acusações da Polícia Federal e alega que há "erros graves" na medida.
Com o recurso, a defesa busca anular as provas obtidas durante a operação. Caso o pedido seja negado, os advogados planejam recorrer à Segunda Turma do Supremo.
A decisão de Wagner de deixar a liderança era esperada por seus aliados. Ele ocupava o cargo desde o início do atual mandato de Lula, tendo sido anunciado durante o governo de transição em dezembro de 2022.
Wagner é um dos principais nomes do PT na Bahia e um dos aliados mais próximos de Lula, com quem mantém uma amizade de quase 50 anos. O senador foi um dos principais apoiadores de Lula durante sua prisão em 2018.
Interlocutores afirmam que Wagner já havia manifestado a intenção de deixar a liderança em outras ocasiões, mas Lula não permitiu. O governo agora teme que as ações contra Wagner possam desviar a atenção de outras revelações envolvendo figuras políticas.
Lula já havia questionado Wagner sobre sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e o senador garantiu ao presidente que não estava envolvido no caso. A expectativa no Planalto é que Lula reforce seu apoio às operações iniciadas em seu governo e solicite explicações a Wagner.