O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento nesta terça-feira (23) à Polícia Civil do Distrito Federal em relação à apreensão de uma arma registrada em seu nome. A pistola foi confiscada durante uma blitz realizada na semana passada, quando um de seus seguranças foi abordado.
O advogado Paulo da Cunha Bueno, que representa Bolsonaro, informou que o depoimento durou cerca de cinco minutos e foi gravado em vídeo. Segundo ele, as declarações do ex-presidente reafirmaram o que já havia sido apresentado pela defesa, sem novas informações ou divergências.
Na última quarta-feira (17), a defesa de Bolsonaro havia declarado que o ex-presidente solicitou o conserto da pistola após identificar uma falha no mecanismo. O depoimento foi realizado na residência de Bolsonaro, sob a supervisão do delegado-adjunto da 17ª Delegacia de Polícia, Thiago Boeing, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O advogado destacou que o inquérito em andamento na Polícia Civil deve ouvir o segurança de Bolsonaro e apresentar o laudo da arma apreendida. Ele também afirmou que não há relação entre o caso e o término do prazo da prisão domiciliar do ex-presidente, que se encerra na quinta-feira (25).
A pistola Glock de calibre 9 milímetros foi apreendida na noite de 15 de junho. Moraes questionou a defesa sobre a razão pela qual Bolsonaro mantinha uma arma em casa e por que solicitou o conserto às vésperas do fim da prisão domiciliar.
A defesa argumentou que a entrega da arma tinha como único objetivo identificar a falha e realizar a manutenção necessária. Além disso, ressaltou que, apesar da condenação de Bolsonaro, não houve determinação para a entrega de armas ou cancelamento de registros.
Moraes também expressou preocupação com possíveis descumprimentos de ordens judiciais, uma vez que a arma foi encontrada com um terceiro a 33 quilômetros da residência de Bolsonaro. A Polícia Militar informou que os veículos dos seguranças não passam por vistorias, pois ficam estacionados na rua.
A postura do segurança durante a abordagem na blitz também levantou suspeitas. O policial militar que fez a abordagem relatou que a pistola estava no assoalho do carro e que o motorista fechou o vidro de forma repentina ao perceber a arma.