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Marco Rubio apresenta acordo com o Irã a líderes do Golfo

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, busca apoio de aliados do Golfo para o acordo com o Irã, que gera preocupações sobre segurança e influência regional.
Foto: Evelyn Hockstein / Reuters

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, inicia uma missão delicada esta semana ao apresentar o acordo de paz entre Washington e Teerã a líderes árabes do Golfo. Os países da região expressam temores de que concessões excessivas ao Irã possam alterar o equilíbrio de segurança e o fluxo de petróleo na área.

Rubio se reunirá com líderes nos Emirados Árabes Unidos na terça-feira (23), antes de seguir para o Kuwait e o Bahrein, onde encontrará autoridades do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que inclui também Arábia Saudita, Catar e Omã.

Entre os pontos discutidos está uma minuta de acordo que não impõe limites aos mísseis balísticos do Irã, um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares e cláusulas que podem aumentar a influência de Teerã na região.

Os seis países do CCG são aliados estratégicos dos EUA e têm apoiado Washington durante a guerra contra o Irã, que começou há quatro meses. No entanto, alguns líderes expressam desapontamento com um acordo que pode facilitar a normalização das relações entre EUA e Irã, visto como um adversário por muitos Estados sunitas.

A opinião dos países do CCG é crucial para os formuladores de políticas dos EUA, especialmente porque abrigam bases militares americanas que sustentam a segurança da região. Uma mudança na relação de segurança com os EUA por parte desses países poderia impactar significativamente a estratégia militar americana.

Rubio enfrenta o desafio de tranquilizar os aliados sem criticar abertamente o acordo, que foi assinado pelo presidente Donald Trump na semana passada. Apesar das críticas de alguns republicanos, Trump permanece firme em seu apoio ao memorando.

Analistas sugerem que Rubio pode acalmar os aliados ao lembrar o histórico de linha dura de Trump em relação ao Irã. O ex-vice-secretário de Estado adjunto para o Iraque e o Irã, Andrew Peek, destacou que o presidente não hesitará em adotar uma postura mais agressiva se o acordo falhar.

Os líderes do CCG, que recebem Rubio, defendem publicamente uma solução diplomática, mas os termos do acordo surpreenderam alguns deles. A ausência de menções aos mísseis balísticos iranianos é uma preocupação, uma vez que todos os países da região estão dentro do alcance desses armamentos.

Além disso, o fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares para o Irã levanta receios sobre o fortalecimento da capacidade militar do país e seu apoio a grupos que podem desestabilizar governos vizinhos. O Bahrein, com uma população majoritariamente xiita, teme que um Irã fortalecido incite revoltas internas.

O acordo também sugere um papel significativo do Irã no controle do Estreito de Ormuz, uma preocupação para países como Kuwait, Catar e Arábia Saudita, que dependem dessa rota para suas exportações de petróleo e gás. Autoridades americanas falam sobre uma possível reformulação nas relações com Teerã, algo que gera cautela entre os Estados do CCG.

A situação é complexa, e a missão de Rubio será crucial para moldar as reações dos aliados do Golfo em relação ao novo acordo com o Irã.

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