O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, revelou nesta segunda-feira (22) que o Irã concordou em permitir a entrada de inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Burgenstock, na Suíça, onde ocorrem negociações entre os dois países.
Vance destacou que a aceitação dos inspetores representa um "marco importante" e um passo inicial rumo à desnuclearização do Irã. Ele afirmou que as conversas sobre as inspeções podem ter início ainda nesta semana.
As negociações, que visam encerrar a guerra no Oriente Médio, foram mediadas por Qatar e Paquistão e tiveram momentos de tensão, incluindo a retirada do Irã da mesa de negociações após ameaças do ex-presidente Donald Trump.
Após a primeira rodada de discussões, que se encerrou na noite de domingo (21) no Brasil, os mediadores informaram que um roteiro para um acordo final foi estabelecido, com um prazo de 60 dias. Vance mencionou que as partes conseguiram criar uma base sólida para um acordo duradouro.
Além das inspeções nucleares, as negociações também abordaram a criação de um mecanismo para cessar os combates no Líbano e garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito de Hormuz. O presidente libanês, Joseph Aoun, foi contatado durante as discussões, e a possibilidade de formar um grupo para prevenir a guerra com Israel foi discutida.
O conflito no Líbano, que se intensificou após ataques do Hezbollah a Israel, complicou as negociações. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, elogiou a mediação do Paquistão e do Catar, afirmando que isso ajudou a alcançar avanços significativos.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, reiterou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano enquanto necessário. Até o momento, não foram registrados novos bombardeios ou combates.
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, desde o início dos confrontos em 2 de março, as operações israelenses resultaram na morte de 4.106 pessoas, enquanto 36 militares israelenses foram mortos.