Uma pesquisa publicada no JAMA Internal Medicine na última segunda-feira (15) revelou que a vacina atualizada contra a Covid-19 pode reduzir em cerca de 38% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, em comparação com indivíduos que receberam apenas a vacina contra a gripe.
O estudo, conduzido pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos e pela Universidade Washington em St. Louis, analisou prontuários eletrônicos de mais de 1 milhão de veteranos que foram vacinados contra a gripe entre setembro e dezembro de 2024. Desses, 349.085 também receberam a vacina contra Covid-19 no mesmo dia.
Os participantes foram acompanhados por até oito meses, durante os quais foram registrados quatro desfechos cardiovasculares graves relacionados à Covid-19: morte por evento cardiovascular, infarto agudo do miocárdio, AVC e internação por insuficiência cardíaca. Os resultados mostraram que o benefício foi mais significativo entre os idosos com mais de 75 anos, que apresentaram uma redução de 50,7% nos eventos cardiovasculares.
Embora os resultados não tenham sido estatisticamente significativos para outros grupos etários, a média de idade dos participantes era de 70 anos. O estudo indicou que, a cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos cardiovasculares graves associados à Covid-19 foram evitados, e esse número sobe para cerca de 24 eventos ao considerar todos os tipos de complicações cardiovasculares.
Os pesquisadores estimam que, em uma população de 1 milhão de pessoas, a vacinação poderia evitar aproximadamente 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos em um período de oito meses. A eficácia da vacina foi considerada estatisticamente significativa tanto em subgrupos com comorbidades quanto em indivíduos saudáveis, embora o benefício absoluto tenha sido maior entre aqueles com doenças pré-existentes.
Os autores do estudo alertam que esses resultados devem ser interpretados com cautela, uma vez que a pesquisa foi realizada apenas com veteranos americanos, uma população predominantemente branca, masculina e idosa. Além disso, a eficácia da vacina atual é inferior à observada nos primeiros anos da pandemia, o que pode ser atribuído à evolução do vírus e à imunidade adquirida por infecções anteriores.
A pesquisa também sugere que a infecção pelo SARS-CoV-2 pode desencadear processos inflamatórios que danificam os vasos sanguíneos, aumentando o risco de infarto e AVC. Ao reduzir a gravidade da infecção, a vacina pode mitigar esses danos.
Por fim, os pesquisadores destacam que o benefício em relação a eventos cardiovasculares de outras causas foi maior do que o observado nos casos diretamente associados à Covid-19, indicando que muitas complicações cardiovasculares podem ocorrer em pessoas que não testaram positivo para a doença.