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Crescimento de casos de câncer em adultos jovens é alarmante

O aumento de diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos tem gerado preocupações sobre a prevenção e os fatores de risco associados à doença.

Os índices de câncer entre adultos jovens têm crescido a cada ano, desafiando a ideia de que a idade é um fator determinante na prevenção da doença. Embora a maioria dos tumores ainda seja mais comum em pessoas acima dos 50 anos, essa tendência parece estar mudando.

No Brasil, o Painel Oncologia BR, uma ferramenta do Ministério da Saúde, revela um aumento significativo de diagnósticos em adultos entre 40 e 50 anos. De 2013 a 2025, o número de pacientes oncológicos nessa faixa etária triplicou, com casos na população de 40 a 44 anos saltando de 10.171 para 33.412, e na faixa de 45 a 49 anos, de 15.213 para 39.906.

Esse fenômeno não é exclusivo do Brasil. Um estudo publicado na revista BMJ Oncology em abril analisou a população inglesa entre 2001 e 2019, constatando que a incidência de 11 tipos de câncer aumentou entre 1% e 4% ao ano em adultos com menos de 50 anos. O câncer colorretal, em particular, apresentou um aumento proporcional significativo.

Outro estudo da BMJ Oncology, publicado em 2023, analisou 29 tipos de câncer em 204 países e identificou um crescimento de 79% na incidência da doença em pessoas com menos de 50 anos entre 1990 e 2019, com um aumento de 28% nas mortes relacionadas ao câncer nesse grupo.

Especialistas apontam que essa mudança epidemiológica não pode ser atribuída apenas ao aumento da população ou à melhoria nos diagnósticos. O oncologista Oren Smaletz, do Einstein Hospital Israelita, observa que o câncer colorretal, por exemplo, deixou de ser raro em pessoas de 20 a 49 anos e se tornou o câncer que mais causa mortes nessa faixa etária entre homens nos Estados Unidos.

Fatores de risco associados ao estilo de vida, como obesidade, sedentarismo e consumo de alimentos ultraprocessados, também são considerados influentes. A oncologista Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), destaca que a dieta ocidental, rica em carnes processadas e bebidas açucaradas, está relacionada ao aumento do risco de câncer colorretal.

Além disso, muitos jovens recebem diagnósticos em estágios mais avançados da doença, em parte devido à falta de rastreamento adequado. A ausência de protocolos específicos para adultos com menos de 50 anos contribui para que sintomas sejam subestimados, tanto por pacientes quanto por médicos.

A SBOC recomenda que pessoas com histórico familiar de câncer façam acompanhamento regular e que sintomas persistentes não sejam ignorados. O diagnóstico precoce é crucial para aumentar as chances de cura.

Diante desse cenário, é fundamental que médicos de diversas especialidades considerem a possibilidade de câncer em pacientes jovens com queixas relevantes e solicitem os exames apropriados.

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