O relacionamento entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu se deteriorou ainda mais nesta terça-feira (16), quando o presidente americano sugeriu que o novo regime sunita da Síria poderia "dar um jeito no Hezbollah" e agir de maneira mais responsável do que o premiê israelense no Líbano.
Trump afirmou:
Você não precisa demolir um prédio de apartamentos toda vez que estiver procurando por alguém. Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todos os outros, ele (Ahmed al-Sharaa, presidente sírio) fará o trabalho.
Essa proposta de intervenção síria no Líbano, embora considerada irreal, representa um novo golpe para Netanyahu, que tem enfrentado críticas e insultos de Trump nas últimas semanas.
A insatisfação de Trump com os ataques israelenses no Líbano, que dificultam um acordo com o Irã, parece ter acelerado a urgência do presidente em encerrar a guerra. Netanyahu, que se aproxima das eleições, se vê isolado e como um perdedor no confronto com o Irã, sem conseguir eliminar o programa nuclear e mudar o regime.
Internamente, o premiê também enfrenta reações negativas após não cumprir a promessa de que a guerra traria paz aos israelenses. O espectro político de Israel, incluindo aliados de Netanyahu, reagiu mal ao acordo entre EUA e Irã, que foi firmado sem sua participação.
Embora Netanyahu tenha convencido Trump a entrar na guerra, ele foi excluído das negociações para encerrá-la e não teve acesso aos termos do acordo. O colunista Amos Harel, do jornal "Haaretz", considera que o confronto com o Irã é um dos maiores fiascos da carreira de Netanyahu, atrás apenas do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Os objetivos iniciais de Trump em relação ao Irã foram deixados de lado, com a reabertura do Estreito de Ormuz se tornando uma prioridade. Os termos do acordo ainda não estão claros, mas os custos políticos para o governo israelense podem ser altos, já que o programa nuclear não foi desmantelado e os fundos congelados à República Islâmica devem ser liberados.
A guerra no Líbano parece ter minado o apoio a Netanyahu nos EUA, dificultando sua capacidade de convencer Trump a embarcar em novas ações militares. A relação entre os dois líderes, embora ainda mantenha interesses mútuos, caminha para uma deterioração significativa.
Netanyahu, que anteriormente era visto como um aliado próximo de Trump, agora é descrito de maneira negativa, com o apoio a Israel diminuindo nos EUA. Apesar das dificuldades, a possibilidade de um novo acordo entre EUA e Irã pode oferecer a Netanyahu uma chance de recuperação em sua carreira política.