A ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, foi presa preventivamente na manhã desta segunda-feira (15/6) durante a segunda fase da Operação Carrasco, conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Conhecida por sua atuação em defesa dos animais, Lopes foi alvo de investigações que revelaram um esquema de eutanásias irregulares de cães e gatos, supostamente associado à arrecadação de recursos por meio de campanhas de PIX.
A prisão ocorreu por volta das 6h, na sede do instituto que leva seu nome, localizado na zona sul de Porto Alegre. Além de Paula Lopes, foram detidos os veterinários Tainara Harth, que atuou como responsável técnica da Secretaria de Bem-Estar Animal durante a gestão de Lopes, e Marcos Vinicius Jenisch, proprietário de uma clínica veterinária na capital. Todos são investigados por maus-tratos a animais e associação criminosa.
A investigação teve início após relatos de um número anormal de mortes de animais na Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas. A primeira fase da Operação Carrasco foi deflagrada em setembro de 2025, e a análise de documentos e prontuários revelou que, em apenas oito meses de administração de Paula Lopes, ao menos 498 cães e gatos foram submetidos à eutanásia, um número muito superior ao registrado em anos anteriores.
Os investigadores afirmam que Paula Lopes utilizava sua imagem de defensora dos animais para captar recursos, enquanto autorizava a morte de animais que ainda poderiam ser tratados. Em um caso, uma veterinária questionou sobre a realização de um exame em uma cadela com suspeita de cinomose, mas recebeu a orientação de proceder com a eutanásia sem realizar o teste. Ao mesmo tempo, Paula fez apelos nas redes sociais para arrecadar fundos para o tratamento do mesmo animal.
A Polícia Civil também encontrou um cão debilitado durante as buscas, que frequentemente aparecia em campanhas de arrecadação. Desde 2020, foram realizadas 549 campanhas ligadas à entidade, que arrecadou R$ 672.670,39 de 14.545 doadores. A delegada Luciane Bertoletti afirmou que a morte dos animais não era um ato de compaixão, mas sim um ato de lucro.
O diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana de Canoas, delegado Cristiano Reschke, destacou que o caso expõe uma manipulação perversa da solidariedade pública, onde a dor dos animais era utilizada como isca emocional para um esquema de estelionato financeiro. A investigação continua em andamento, com a polícia buscando identificar o destino de centenas de animais que passaram pelo instituto.
Fonte: Metropoles