Um novo estudo sugere que o horário em que se pratica exercícios pode influenciar significativamente a saúde. Publicado na revista científica Open Heart, a pesquisa constatou que atividades físicas realizadas em sintonia com o relógio biológico dos indivíduos resultaram em melhorias mais expressivas em indicadores de saúde, como a saúde do coração, o metabolismo, o condicionamento físico e a qualidade do sono.
O estudo acompanhou 150 adultos sedentários, com idades entre 40 e 60 anos, ao longo de 12 semanas. Os participantes foram divididos em grupos de acordo com seu cronotipo — matutino ou vespertino — e realizaram exercícios em horários que estavam alinhados ou desalinhados com o funcionamento natural de seus organismos.
Os resultados mostraram que aqueles que se exercitaram em horários compatíveis com seu relógio biológico apresentaram melhorias mais significativas em indicadores cardiovasculares e metabólicos, além de um melhor condicionamento físico e qualidade do sono. O cardiologista Israel Guilharde Maynarde, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, explica que o corpo humano possui um relógio biológico que regula funções como a pressão arterial e o metabolismo ao longo do dia.
Maynarde destaca que a compreensão do cronotipo é essencial, pois o organismo não opera da mesma forma durante todo o dia. A pressão arterial, a frequência cardíaca e a temperatura corporal, por exemplo, seguem oscilações naturais controladas pelo ritmo circadiano.
Entre os participantes hipertensos, aqueles que treinaram em horários compatíveis com seu cronotipo mostraram uma melhora na pressão arterial sistólica, um fator importante para reduzir o risco de doenças cardiovasculares. O cardiologista ressalta que, embora o estudo reforce a importância do alinhamento entre o horário do treino e o relógio biológico, não existe um horário universal ideal para a prática de exercícios.
Mesmo os participantes que se exercitaram em horários considerados desalinhados também apresentaram melhorias, embora em menor grau. Maynarde enfatiza que o exercício é benéfico independentemente do horário, e que o alinhamento pode proporcionar um ganho adicional.
O estudo também desmistifica a ideia de que treinar pela manhã aumenta o risco de infarto. Embora eventos cardiovasculares sejam mais frequentes nas primeiras horas do dia, isso não significa que o exercício matinal seja perigoso para quem já tem uma rotina de atividades físicas. O médico alerta que o maior risco está em pessoas sedentárias que realizam esforços intensos de forma abrupta.
Além disso, a pesquisa identificou uma melhora significativa na qualidade do sono entre os participantes que se exercitaram em horários compatíveis com seu cronotipo. O exercício físico atua como um sincronizador do relógio biológico, e práticas como exposição à luz natural pela manhã e horários regulares para dormir e comer ajudam a ajustar o ritmo circadiano.