A Copa do Mundo de 2026, que contará com a participação dos Estados Unidos, México e Canadá, está sendo moldada por uma forte influência norte-americana. A aproximação entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, mediada por Jared Kushner, genro do republicano, contribuiu para essa configuração.
Embora o torneio seja oficialmente tripartite, cerca de 75% das partidas ocorrerão em território americano. Essa edição da Copa do Mundo não apenas se beneficiará da infraestrutura dos Estados Unidos, mas também será influenciada por suas prioridades políticas, comerciais e de segurança.
Infantino, em declarações públicas, enfatizou a importância do apoio de Trump para a realização do evento, afirmando que seria "impossível
organizar a Copa nos EUA sem o envolvimento do ex-presidente. Essa afirmação ilustra uma mudança na abordagem da FIFA, que, ao invés de impor seu tradicional
Padrão FIFA", parece ter aceitado operar sob as regras do que tem sido chamado de "DNA dos EUA".
Tradicionalmente, para sediar uma Copa do Mundo, os governos precisam atender a uma série de exigências da FIFA, como isenções fiscais e garantias de livre circulação de torcedores e jornalistas. No entanto, com a administração Trump, que implementou políticas migratórias rigorosas, a FIFA adotou um discurso de adaptação às normas norte-americanas. Infantino comentou que,
infelizmente, o nosso mundo é agressivo e a segurança está acima de tudo
, referindo-se a questões de vistos e imigração.
Um caso emblemático foi o do árbitro somali Omar Artan, que teve sua entrada negada nos EUA após um longo interrogatório no aeroporto de Miami, sendo deportado de volta à Somália. A FIFA, ao invés de contestar a decisão, classificou a situação como "lamentável".
Além disso, a seleção do Irã enfrentou dificuldades logísticas para participar do torneio, tendo que estabelecer sua base no México. Infantino, no entanto, considerou a presença do Irã na Copa como um sucesso diplomático, apesar das tensões entre Washington e Teerã.
Esses eventos reacendem o debate sobre a relação entre política e futebol, uma vez que a FIFA não possui uma regra que impeça um país em conflito de participar do torneio. A entidade decide sobre sanções caso a caso, como foi o caso da Rússia, banida das competições internacionais após a invasão da Ucrânia.