A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, o México se prepara para receber o evento sob um rigoroso esquema de segurança. A operação ocorre em um contexto de protestos de professores na capital e preocupações com a violência do crime organizado, especialmente em Guadalajara, onde a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, ainda gera um clima de insegurança.
O torneio, que será o maior da história com 48 seleções e 104 partidas, terá seu primeiro jogo no dia 11 de junho. No entanto, especialistas afirmam que a atmosfera nas cidades-sede está longe da euforia dos Mundiais de 1970 e 1986. Jorge Rocha, acadêmico da universidade ITESO em Guadalajara, destaca que a falta de entusiasmo popular é notável. Ele observa que, embora haja referências ao Mundial nas ruas, a tradicional alegria associada ao evento parece ausente.
Rocha atribui essa apatia a diversos fatores, incluindo os transtornos causados pelas obras de infraestrutura e os altos custos para participar do evento. Os preços dos ingressos são considerados elevados, e no mercado de revenda, os valores são ainda mais altos. Isso gera a percepção de que a população está enfrentando os inconvenientes da preparação para a Copa sem poder desfrutar plenamente do evento.
Além dos ingressos, o aumento nos preços das hospedagens também levanta críticas sobre quem realmente se beneficiará economicamente da competição. As partidas da Seleção Mexicana estão agendadas para os dias 11, 18 e 24 de junho.
A insegurança se intensificou após a operação que resultou na morte de El Mencho, em fevereiro deste ano. Os episódios de violência subsequentes impactaram Guadalajara e outros destinos turísticos em Jalisco, criando um clima de "calma tensa", segundo Rocha. Uma pesquisa recente indica que cerca de 90% da população se sente insegura na cidade.
A presença das forças de segurança aumentou significativamente, com patrulhas do Exército Mexicano e da Guarda Nacional se tornando comuns, especialmente nas áreas próximas aos estádios que receberão as partidas da Copa. O esquema de segurança será reforçado durante o Mundial, especialmente em jogos de maior relevância internacional.
A jornalista Ilse Martínez, que cobre a realidade de Jalisco, ressalta que a preocupação com a segurança vai além do crime organizado, incluindo a crise de desaparecimentos. Ela menciona que os eventos violentos após a morte de El Mencho geraram incêndios de veículos e bloqueios de estradas, criando um nível de medo inédito para muitos moradores.
Para enfrentar esses desafios, o governo mexicano implementou o Plano Kukulkán, que envolve mais de 20 órgãos federais e coordenação com autoridades locais, Estados Unidos, Canadá e a FIFA. A operação prevê a mobilização de cerca de 100 mil agentes e a instalação de sistemas de vigilância, monitoramento em tempo real e tecnologia antidrone em estádios, aeroportos e áreas destinadas aos torcedores.
Apesar das preocupações, especialistas acreditam que a Copa do Mundo pode ser uma oportunidade para melhorar a imagem internacional de Guadalajara e de Jalisco. Rocha destaca a relação histórica da cidade com o futebol brasileiro, lembrando que Guadalajara já recebeu partidas da Seleção Brasileira em 1970 e 1986. A cidade também ganhou uma estátua em homenagem a Pelé nas proximidades do Estádio Jalisco.
Martínez compartilha essa visão otimista, afirmando que os visitantes encontrarão uma cidade acolhedora, rica em cultura, gastronomia e turismo.
Se tudo transcorrer com segurança, acredito que a Copa do Mundo pode ajudar a mostrar o melhor de Guadalajara
, conclui.