Nos últimos dois anos, países como Alemanha, Japão e Portugal têm reformulado suas políticas de imigração, criando vistos voltados para atrair jovens qualificados. Essas iniciativas refletem respostas variadas a um desafio comum: a escassez de mão de obra.
Em junho de 2024, a Alemanha lançou a "Chancenkarte" (cartão de oportunidades), que permite a entrada no país por até um ano para busca de emprego, sem a necessidade de um contrato prévio. Para obter o visto, é necessário ter diploma técnico ou superior e acumular pelo menos seis pontos em um sistema que avalia formação, experiência, idioma e idade. Além disso, o candidato deve comprovar cerca de € 12 mil em conta, o que equivale a mais de três anos de salário mínimo no Brasil.
Durante o período de busca, os portadores do visto podem trabalhar até 20 horas por semana em qualquer área. Caso consigam um emprego, é possível regularizar a situação sem precisar retornar ao Brasil. Segundo o Ministério do Trabalho alemão, a expectativa é que o número de trabalhadores disponíveis no país diminua em 40 mil até 2026, devido a fatores demográficos.
Até junho de 2025, foram emitidos pouco mais de 11 mil vistos "Chancenkarte
, com uma meta inicial de 30 mil por ano. Luana Medeiros, consultora de imigração brasileira na Alemanha, destaca que a principal barreira para os brasileiros é financeira, afirmando que
não é qualquer um que tem esse valor no Brasil".
O Japão, que também enfrenta um envelhecimento populacional, criou em março de 2024 um visto para trabalhadores remotos, exigindo uma renda anual mínima de 1 milhão de ienes (cerca de R$ 31 mil). A estadia permitida é de até seis meses, mas até junho de 2025, apenas 137 estrangeiros estavam vivendo no Japão com esse visto, nenhum deles brasileiro.
Portugal, por sua vez, lançou em 2022 o visto D8 para trabalhadores remotos, exigindo uma renda mensal mínima de € 3.680 (R$ 21 mil). Nos dois primeiros anos do programa, foram emitidos 552 vistos para brasileiros, número que saltou para 2.697 em 2025. Contudo, o aumento na demanda por vistos também trouxe desafios, como a alta nos preços de imóveis, que subiram 18,9% no quarto trimestre de 2025.
Em resposta a essa crise habitacional, o governo português cancelou benefícios fiscais para estrangeiros em 2024 e reformulou o processo de solicitação de visto, centralizando o atendimento na embaixada em Brasília e abrindo novos centros em várias cidades brasileiras.
Essas iniciativas não são exclusivas de Alemanha, Japão e Portugal. A Estônia foi pioneira ao criar, em 2020, o primeiro visto para nômades digitais do mundo, e o Reino Unido lançou em 2022 o visto High Potential Individual, destinado a graduados de universidades consideradas de alto nível.