Pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, alcançaram um marco significativo na edição genética ao modificar o DNA de embriões humanos com uma precisão sem precedentes. A técnica utilizada, chamada de edição de base, representa uma evolução das ferramentas de edição genética derivadas do CRISPR.
Diferentemente do método tradicional, que corta segmentos do DNA, a edição de base altera letras específicas do código genético, o que diminui o risco de alterações indesejadas. Durante os experimentos, a equipe modificou dois genes em embriões humanos doados para pesquisa: o gene PCSK9, relacionado aos níveis de colesterol LDL no sangue, e o gene HBG, que desempenha um papel na produção da hemoglobina fetal.
Os resultados indicam que as alterações foram realizadas sem os danos cromossômicos significativos frequentemente observados em estudos anteriores que utilizaram o CRISPR convencional. No entanto, os pesquisadores alertam que a tecnologia ainda não está pronta para aplicações clínicas.
Um dos principais desafios identificados foi o mosaicismo, que ocorre quando algumas células dos embriões recebem a alteração genética enquanto outras permanecem inalteradas. Essa heterogeneidade celular dentro de um único embrião representa um obstáculo para a aplicação segura da técnica.
Os autores do estudo enfatizam a necessidade de mais pesquisas para avaliar a segurança e a eficácia da edição de base. Os próximos passos incluem a busca por métodos que reduzam o mosaicismo e a análise do comportamento da técnica em embriões em estágios mais avançados de desenvolvimento. Até o momento, os resultados obtidos representam um avanço experimental, sem previsão de aplicação em clínicas de fertilização.