As votações do segundo turno da eleição presidencial no Peru foram encerradas neste domingo (7), e a pesquisa de boca de urna do instituto Ipsos indica Keiko Fujimori como a favorita, com 50,7% dos votos válidos. Seu adversário, Roberto Sánchez, obteve 49,3%. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, o que caracteriza um cenário de empate técnico.
A pesquisa foi realizada com 18 mil entrevistas em todo o território peruano. Os resultados oficiais da eleição podem levar dias para serem divulgados, conforme informado pela autoridade eleitoral do país.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, já havia se destacado no primeiro turno, onde obteve 17,2% dos votos válidos, enquanto Sánchez conquistou 12%.
As seções eleitorais foram fechadas às 17h locais (19h no horário de Brasília), após uma jornada eleitoral tranquila, em contraste com o primeiro turno, que foi marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude.
O cenário político no Peru é caracterizado por uma fragmentação significativa, com um recorde de 35 candidatos na corrida presidencial. Lucas Berti, cientista político e pesquisador no Observatório Político Sul-Americano, destaca que essa situação reflete um processo de deslegitimação institucional que vem se intensificando nos últimos anos.
Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes, o que evidencia a instabilidade política do país. A Constituição peruana permite que um presidente seja destituído por "incapacidade moral ou física permanente", o que pode ser avaliado pelo Congresso.
Berti observa que a fragilidade institucional é um fator preocupante, com a coalizão fujimorista, que possui maioria no Congresso, exercendo influência significativa sobre os poderes do Estado.
Keiko Fujimori, que já perdeu as últimas três eleições no segundo turno, busca agora conquistar o cargo presidencial em um cenário que ainda é incerto, com pesquisas indicando uma disputa acirrada.
A crise política no Peru também gerou uma desconfiança generalizada nas instituições, com 90% da população afirmando ter pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso. Apenas 10% se dizem satisfeitos com a democracia.
A facilidade de criação de partidos no Peru e a falta de fidelidade dos candidatos a suas legendas contribuem para um ambiente político instável, onde a desconfiança e o descrédito são comuns entre os eleitores.