O Dr. Richard Lokudu, diretor médico do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, enfrenta dificuldades em sua atuação na linha de frente de um dos surtos mais letais de ebola já registrados no Congo. Ele e seus colegas têm atendido um número crescente de pacientes, com notificações de casos suspeitos chegando até mesmo à noite.
Não recebi minha ajuda de custo e o que aconteceu com outras pessoas também pode acontecer comigo — afirmou Lokudu. Apesar das medidas de prevenção e controle de infecções, a incerteza sobre o futuro é uma constante.
As autoridades de saúde acreditam que o surto, que surpreendeu a região leste do Congo, começou na área de mineração de Mongbwalu, na província de Ituri. A cidade se tornou o epicentro da variante Bundibugyo do ebola, atraindo muitos trabalhadores que vivem em condições precárias.
Essas condições, como a superlotação e o acesso limitado a cuidados de saúde, aumentam o risco de transmissão da doença, que se espalha pelo contato com fluidos corporais de pessoas infectadas.
Além disso, o ceticismo em relação à doença dificulta ainda mais o trabalho dos profissionais de saúde, que já enfrentam a perda de colegas devido à infecção. Lokudu destacou que
as pessoas estão sacrificando seu descanso e conforto por essa causa
e pediu reconhecimento e remuneração adequada para esses trabalhadores.
Até o momento, as autoridades congolesas relataram 488 casos confirmados e 86 mortes. A variante Bundibugyo não possui vacinas ou tratamentos aprovados, levando os profissionais de saúde a focar no tratamento dos sintomas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que a doença teve uma "grande vantagem inicial", pois os hospitais da região não conseguiram testar adequadamente o tipo de ebola que já circulava antes da confirmação oficial.
Os profissionais de saúde lidam com recursos limitados, enquanto organizações humanitárias tentam fornecer assistência. A falta de equipamentos de proteção e medicamentos foi um desafio nos primeiros momentos do surto.
Alice Bamuhinga, enfermeira do hospital, relatou que, durante a primeira semana, não teve tempo nem para voltar para casa para se alimentar.
Comemos apenas uma vez por dia, o equivalente ao café da manhã, mas à noite — disse.
A situação se agrava com relatos de moradores que, inicialmente, não acreditavam na gravidade da doença. Asero Jeanne, que perdeu dois filhos para o ebola, compartilhou sua experiência e a dor de ver a família afetada.
Recentemente, a OMS lançou um plano de US$ 518 milhões para combater o surto, enfatizando que a contenção do ebola depende de compromisso político e da confiança das comunidades.
Os desafios são ainda maiores devido ao conflito entre o governo congolês e grupos rebeldes, que dificultam o acesso das equipes de saúde às áreas afetadas. Lokudu destacou que, mesmo com alertas, a falta de recursos impede investigações adequadas.