A recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos sinaliza uma mudança significativa na abordagem de Washington em relação ao crime organizado na América Latina. Essa decisão, anunciada na sexta-feira (5/6), coloca o Brasil em uma nova dinâmica de segurança, similar a estratégias já aplicadas em países como México, Colômbia e Venezuela.
De acordo com Vitor de Pieri, especialista em geografia humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a inclusão dessas facções na arquitetura de segurança dos EUA indica que a questão do crime organizado no Brasil deixa de ser apenas policial. O especialista ressalta que essa mudança pode afetar a percepção internacional do país, que historicamente buscou se posicionar como uma nação estável e com liderança regional.
O Departamento de Estado dos EUA argumenta que PCC e CV
cometeram ou tentaram cometer, representam risco significativo de cometer ou participaram de treinamento para cometer atos terroristas
que ameaçam a segurança nacional americana. A partir dessa classificação, qualquer pessoa ou empresa que mantenha relações financeiras com membros dessas facções poderá enfrentar sanções e processos legais.
A nova estratégia dos EUA reflete um interesse crescente na América Latina, que vai além da segurança pública e abrange questões como a disputa tecnológica com a China e a corrida por recursos naturais. A experiência mexicana, onde cartéis foram reclassificados como ameaças à segurança nacional, serve como um exemplo do que pode ocorrer no Brasil.
Além disso, a Colômbia e a Venezuela também ilustram como a designação de grupos como terroristas pode justificar uma cooperação internacional mais intensa. O caso colombiano, por exemplo, teve um aumento significativo na colaboração com os EUA após os atentados de 11 de setembro de 2001, enquanto a Venezuela tem visto uma associação crescente entre crime organizado e terrorismo.
A classificação do PCC e do CV pelos EUA, portanto, não apenas altera a dinâmica de combate ao crime no Brasil, mas também pode ter repercussões profundas na imagem do país no cenário internacional.