O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quinta-feira (4) em Paris que o Brasil está comprometido em continuar as negociações com os Estados Unidos a respeito da proposta de imposição de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. Vieira enfatizou que, até o momento, não há previsão de um encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump durante a cúpula do G7, que ocorrerá na França.
Em uma conversa informal com Jamieson Greer, representante para o Comércio Exterior dos EUA, Vieira destacou a importância de manter o diálogo aberto. A conversa, que ocorreu nos corredores da Reunião do Conselho Ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), foi iniciada pelo representante americano, que expressou satisfação com as discussões em andamento.
O chanceler brasileiro mencionou que, durante a visita de Lula aos EUA em maio, foi estabelecido um prazo de 30 dias para o início das negociações. Greer afirmou estar pronto para continuar as conversas, e Vieira aceitou o convite para dar seguimento às discussões.
O prazo para a eventual aplicação das tarifas se estende até 15 de julho de 2026, conforme informações do Escritório de Comércio dos EUA. Além das tarifas, os Estados Unidos também incluíram as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) na lista de organizações terroristas.
Vieira reiterou que o Brasil não considera, neste momento, a adoção de medidas retaliatórias e que o país continuará apostando nas negociações. Ele ressaltou que, durante o período de consultas da Seção 301, o governo brasileiro respondeu de forma robusta, envolvendo todos os ministérios e fornecendo as informações solicitadas.
O ministro contestou a alegação americana de que o Brasil teria um superávit na relação comercial com os EUA, afirmando que, na verdade, o Brasil acumula um déficit de cerca de US$ 450 bilhões nos últimos 15 anos.
Portanto, não há razão para medidas de proteção ao comércio americano — afirmou.
O presidente Lula confirmou sua participação no G7, que ocorrerá entre os dias 15 e 17 de junho, e a presença de Donald Trump abre a possibilidade de uma reunião bilateral. Vieira destacou que esta será a décima vez que Lula é convidado para a cúpula.
Sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, Vieira considerou o tratado estratégico e já firmado, ressaltando a necessidade de diversificar parcerias comerciais. Ele também mencionou encontros bilaterais realizados durante o evento da OCDE, incluindo contatos com o Reino Unido e Japão.
Por fim, o ministro afirmou que não há previsão para a resolução da questão tarifária com os Estados Unidos, mas que as negociações continuarão.
Vamos acompanhar tudo o que está acontecendo. O que for necessário fazer, será feito — concluiu.