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Irã denuncia discriminação dos EUA em vistos para a Copa do Mundo

A seleção iraniana enfrenta tensões diplomáticas a dez dias da Copa do Mundo, com o governo do Irã acusando os EUA de discriminação na concessão de vistos.

A seleção masculina de futebol do Irã, que se classificou para a Copa do Mundo de 2026 após empatar com o Uzbequistão em março do ano passado, está no centro de uma polêmica diplomática a poucos dias do início do torneio. O governo iraniano denunciou, neste sábado (6), um "tratamento discriminatório" por parte dos Estados Unidos, que negou a entrada de diversos membros da comissão técnica e da diretoria da equipe.

A embaixada iraniana na Turquia utilizou suas redes sociais para questionar:

Por que vocês não dizem que os vistos foram negados à maior parte da diretoria e da comissão técnica, a assessores técnicos e a outras pessoas essenciais para a seleção?

A declaração foi uma resposta ao embaixador dos EUA na Turquia, Tom Barrack, que havia anunciado que os jogadores e a "comissão técnica necessária" receberam os vistos.

A Casa Branca confirmou na sexta-feira (5) que os vistos dos atletas foram concedidos, mas a embaixada iraniana classificou a recusa de vistos para o restante da delegação como

o mais alto nível de discriminação intencional

contra o Irã. De acordo com a agência de notícias Fars, mais de uma dúzia de integrantes das equipes de apoio médico e esportivo tiveram seus pedidos rejeitados, incluindo o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj.

As restrições impostas pelos EUA estão ligadas, em parte, a conexões com a Guarda Revolucionária Islâmica. O secretário de Estado, Marco Rubio, já havia afirmado que os EUA não permitiriam a entrada de indivíduos associados a esse ramo das forças armadas iranianas. Mehdi Taj, que é ex-comandante da Guarda, já havia enfrentado restrições para entrar nos EUA durante o sorteio do torneio em dezembro.

Diante da incerteza sobre os vistos, a seleção do Irã decidiu transferir sua base de treinamento de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México. A delegação deve chegar ao território mexicano no domingo (7), após passar pela Espanha. O embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, afirmou que a decisão de competir "mesmo em território considerado inimigo" é um gesto que demonstra a busca do país pela paz.

Esta edição da Copa do Mundo é histórica, pois é a primeira vez que um país anfitrião recebe uma nação com a qual está em guerra. O conflito militar entre Irã e EUA permanece ativo; poucas horas após a confirmação da recepção dos jogadores, os EUA anunciaram novos ataques aéreos contra instalações iranianas, alegando ameaças ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. As negociações de paz, por sua vez, avançam lentamente em direção a um acordo provisório.

Apesar das dificuldades extracampo, o calendário da equipe no Grupo G permanece inalterado, com os seguintes jogos programados: 15 de junho contra a Nova Zelândia em Los Angeles, 21 de junho contra a Bélgica, também em Los Angeles, e 27 de junho contra o Egito em Seattle.

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