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Pressão sobre governos aliados de Trump aumenta na América Latina

Apesar da guinada à direita que a América Latina viveu nos últimos anos, governos aliados aos planos para a região do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentam pressões. Os casos mais recentes acontecem n.....
Foto: Metropoles

Apesar da guinada à direita que a América Latina viveu nos últimos anos, governos aliados aos planos para a região do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentam pressões. Os casos mais recentes acontecem na Bolívia e Chile, onde a população foi para as ruas contra as atuais políticas dos presidentes que assumiram o controle dos países recentemente. Na Bolívia, manifestantes tomam as ruas do país desde o início de maio, com uma demanda: a renúncia do presidente que está no cargo há cerca de 6 meses. Rodrigo Paz assumiu o poder boliviano em novembro de 2025, após encerrar a hegemonia da esquerda, que comandou a Bolívia por 20 anos. O político de centro-direita conseguiu o feito após formar uma aliança com Edmand Lara, seu vice que ajudou no diálogo com setores populares bolivianos. Mas, após a posse, o político de 58 adotou políticas contrárias as demandas de movimentos sociais do país que o ajudaram na vitória. Entre elas, medidas voltadas ao agronegócio e a indústria, e uma polêmica lei que poderia enfraquecer a proteção de terras indígenas e camponesas. Diante da pressão, o presidente boliviano chegou a recuar e revogou a lei sobre terras indígenas e camponesas, reduziu o próprio salário e demitiu alguns ministros de seu governo na tentativa de conter a crise. As medidas, no entanto, não foram suficientes para cessar as manifestações, que continuam pedindo sua renúncia — e podem passar a ser alvos de repressão pelas Forças Armadas após um projeto sobre a implementação do estado de exceção avançar no legislativo da Bolívia. Apesar do apelo popular, os protestos foram classificados pelo governo norte-americano como uma tentativa de golpe de Estado. A retórica foi apoiada pela coalizão militar ligada pelos EUA, Escudo das Américas, que condenou as manifestações e prestou apoio à Paz. Cortes geram manifestações contra Kast No Chile, manifestantes saíram às ruas na última semana devido a um pacote de ajuste fiscal do governo de José Antonio Kast — que assumiu a presidência do país em março deste ano. Uma das principais plataformas de governo do político de direito é, justamente, cortar US$ 6 bilhões de gastos públicos ao longo de 18 meses, através da redução de quase 3% no orçamento de todos os ministérios do país. O objetivo é equilibrar as contas públicas e impulsionar a economia local. No país andino, as manifestações são puxadas principalmente por estudantes e professores, que enxergam as medidas do atual governo como uma ameaça à educação e saúde chilena. As falas de Marco Rubio Crítico aberto de governos de esquerda, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse aguardar mudanças políticas na América Latina, que podem aumentar a cooperação entre Washington e nações da região. Durante audiência no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, o chefe da diplomacia do país falou com parlamentares sobre uma possível expansão do Escudo das Américas.

Mais de 14 países do hemisfério se juntaram à nossa aliança contra o terrorismo, o narcotráfico e para assuntos de segurança — disse o secretário de Estado dos EUA. “Acreditamos que este número deve aumentar nos próximos meses, à medida que as eleições mudem a liderança em vários países”. O Escudo das Américas é uma coalizão militar criada no início deste ano, com o objetivo declarado de combater o tráfico de drogas na América Latina. Ela é composta por 13 países: EUA, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trindade e Tobago. Um dia antes da fala na Câmara, Rubio comentou sobre a vasta rede de aliados dos EUA na região, mas deixou de fora países comandados por políticos de esquerda: Nicarágua, Cuba, Venezuela, Colômbia e Brasil. De acordo com o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Senior Fellow do Instituto de Pesquisas Estratégicas em Relações Internacionais e Diplomacia (IPERID), Elton Gomes, as declarações de Rubio vão de encontro a mudanças políticas a nível mundial — onde a direita ganhou mais força nos últimos anos. "O objetivo do grupo político do qual faz parte o secretário Marco Rubio é criar condições para que aliados ideológicos do trumpismo sejam eleitos pelo mundo afora, porque entende que esse é o esforço internacional de promoção de ideias nacional populistas", explica Gomes. Eleições à vista Enquanto alguns governos de direita na América Latina convivem com protestos, e o chefe da diplomacia de Trump prevê mudanças na região, três pleitos que podem redefinir a política regional estão prestes a acontecer — ambos marcados por um ambiente de polarização, e apoio norte-americano para candidatos de direita. O primeiro deles acontece neste fim de semana, no Peru, que elegerá o novo presidente do país no segundo turno das eleições presidenciais no domingo (7/6). A disputa envolve o candidato de esquerda Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, e de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Na última pesquisa de intenção de votos os dois candidatos apareceram empatados tecnicamente. A Colômbia também vai definir o destino político do país em segundo turno, em 21 de junho. A disputa envolve Abelardo de la Espriella, candidato de extrema-direita, e Ivan Cepeda, da esquerda. Espriella saiu na frente no primeiro turno, e conquistou 43,7% dos votos válidos. Cepeda ficou com 40%. O pleito colombiano ainda é marcado por acusações de fraude, iniciadas pelo atual presidente do país, Gustavo Petro. No Brasil, o mesmo cenário de divisão parece se desenhar, ainda que o pleito só vá acontecer em outubro. Nas últimas pesquisas dois nomes se destacam: o atual presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Pressões norte-americanas Desde que Trump assumiu o seu segundo mandato, a América Latina se tornou a prioridade número 1 de Washington, conforme a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA divulgada no fim de 2025. Nos últimos meses, enquanto a guerra no Irã tem se mostrado um fracasso, a administração norte-americana voltou os olhos para a região, e mirou, principalmente, em Cuba e Brasil. No caso da ilha caribenha, além da pressão por vias econômicas, os EUA miraram a última figura do castrismo ainda viva: Raúl Castro. Recentemente, o militar de 95 anos foi indicado pelos EUA acusado de envolvimento direto com o abate de duas aeronaves norte-americanas na década de 1990, que pertenciam à organização anti-castrista Hermanos al Recaste. A medida foi seguida pelo envio de navios de guerra para a região do Caribe, em um movimento semelhante ao que antecedeu a operação que terminou na captura do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro. Já o Brasil passou a ser alvo de políticas norte-americanas que surgiram após lobby da família Bolsonaro. A primeira delas foi a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão, porém, preocupa o governo brasileiro e analistas, que enxergam uma brecha para possíveis interferências dos EUA no país sob a bandeira do combate ao que Washington classifica como "narcoterrorismo". Em seguida, o governo dos EUA anunciou a intenção de voltar a taxar alguns produtos brasileiros em 25%, o que reabriu uma crise entre os dois países. Neste último caso, o senador Flávio Bolsonaro negou que tenha relação com a sobretaxa. No último ano, o país já havia sido alvo de tarifas norte-americanas, que na época foram justificadas, entre outras coisas, pelo julgamento em curso Jair Bolsonaro. A taxa foi revertida posteriormente, enquanto o ex-presidente foi condenado a pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

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